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Temos um novo vice-presidente na Câmara do Funchal?

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O "vice" para a política dos 20 pisos?

Na política, há fotografias que dizem mais do que comunicados. E a imagem captada no Chão da Lagoa é uma dessas.

O

 maior protagonismo político do evento, pelo menos no que toca à Câmara Municipal do Funchal, parece ter pertencido ao vereador do Urbanismo, Eng.º Paulo Lobo. Foi ele quem recebeu o Presidente do Governo Regional, acompanhou-o ao longo da iniciativa e surge repetidamente ao lado de Miguel Albuquerque e do antigo vice-presidente da Câmara, Pedro Calado.

Tudo isto seria apenas uma curiosidade fotográfica, não fosse um detalhe: o atual vice-presidente da autarquia, Carlos Rodrigues, praticamente desaparece do registo público do evento. Há poucas imagens em que assuma um papel de destaque, contrastando com a exposição permanente de Paulo Lobo.

Também Jorge Carvalho surge em algumas fotografias, mas, regra geral, em segundo plano, sem o protagonismo reservado ao vereador do Urbanismo.

Naturalmente, uma fotografia não faz uma nomeação. Nem um passeio lado a lado representa, por si só, qualquer decisão política. Mas a política vive de sinais. E os sinais existem para serem lidos.

A pergunta, por isso, impõe-se: estaremos perante uma mera coincidência protocolar ou perante a apresentação informal de um futuro número dois da Câmara do Funchal?

É igualmente do conhecimento público a relação de amizade entre Paulo Lobo e a sua esposa com a Primeira-Dama da Região. Esse facto, por si só, não tem qualquer censura nem permite retirar conclusões sobre decisões políticas. Mas, em política, as relações pessoais, os gestos públicos e as imagens acabam frequentemente por alimentar interpretações.

Quem acompanhou o Chão da Lagoa dificilmente ficou com a sensação de que o centro da representação municipal era o vice-presidente em funções. Pelo contrário, todas as atenções pareciam convergir para Paulo Lobo, num posicionamento que não passou despercebido.

Pode não significar absolutamente nada. Ou pode significar muito. O tempo o dirá.

Há uma velha máxima que continua a resistir ao desgaste dos anos: na política raramente existem coincidências; existem mensagens. E quando uma mensagem é repetida fotografia após fotografia, é natural que os cidadãos façam perguntas.

Se estamos ou não perante o ensaio de uma futura substituição na vice-presidência da Câmara Municipal do Funchal, ninguém o pode afirmar com seriedade neste momento. Mas uma coisa é certa: no Chão da Lagoa, quem parecia vestir, aos olhos de muitos, o fato de vice-presidente não era necessariamente quem ocupa formalmente o cargo. Afinal, por vezes, a objetiva da máquina fotográfica capta aquilo que os comunicados preferem não escrever.

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