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Albuquerque vai entregando a Madeira ao inimigo interno.

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 inteligência de Albuquerque só serve para se manter como político rico na Sábado, de alguma maneira o é com o vencimento conhecido. Poupando no IMI? Bens de família, os vendidos para pagar dívidas? E aquele amor pelas rosas foi só motivo de TV. Andamos tão distraídos, pelo menos calados, que trocadilho, e lá vem ele sem ter resolvido na Justiça a se posicionar para chutar um Carvalho e até um Jesus, por muito que se meta pela Igreja para se beatificar. No passado foi assim, agora está muito pior e é para prosseguir com novo Presidente pau mandado.

Falemos de agora. Está aí mais uma machadada, no tempo perfeito com 3 anos pela frente para esquecer. No fim deles, uma oposição que lhe basta o estatuto será cilindrada por esta máquina de dependentes e interessados.

Chegou a vez da hasta pública da Quinta do Vale Paraíso (antiga Aldeia do Padre Américo) e do Solar da Piedade, mais um capítulo negro na política de desmantelamento daquilo que pertence a todos os madeirenses. Sob a capa cínica de "injetar nova vida" e "rentabilizar ativos", o Governo Regional funciona como o braço logístico e imobiliário de um lóbi da construção que tomou as rédeas da ilha. Não é por acaso que vimos o Rei das Obras na frente do pelotão como se fosse Presidente durante muito tempo, agora menos, algum efeito a Justiça tem.

Este assalto intemporal sem fim à vista não acontece por acaso, é fruto de uma máquina bem oleada que opera a dois níveis fundamentais, o Governo como agente imobiliário e a a manipulação dos PDMs pelas Câmaras.

Propriedades com enorme valor histórico, social ou paisagístico, muitas das quais serviram propósitos nobres de acolhimento e solidariedade, são sumariamente devolvidas ao mercado privado. É natural, não temos nem pobres nem necessitados. O executivo abdica de criar espaços públicos, parques, habitação acessível ou polos culturais para passar a receita direta aos cofres, sabendo perfeitamente que o destino final destas quintas será o betão, o turismo de luxo ou mais condomínios fechados. O Governo Regional vende, com o dinheiro infraestrutura outros investimentos do betão (como campos de golfe) e ainda paga obras. O erário público só tem um sentido. A Madeira não é dos madeirenses, o Governo Regional está a passar tudo para privados para a ilha ficar num colete de forças.

A loucura da construção exige espaço, e quando as regras travam o cimento, mudam-se as regras. As autarquias funcionam frequentemente como facilitadoras, moldando e alterando os Planos Diretores Municipais (PDMs) à medida das necessidades dos promotores imobiliários. Zonas verdes e áreas agrícolas são desclassificadas num estalar de dedos para dar lugar a frentes de obra.

A maior tragédia deste processo é o silêncio e a conivência política que perpetuam o sistema. Temos pela frente mais anos desta gestão desenfreada, blindada por uma estratégia eleitoralista que se repete com uma eficácia deprimente. O povo, asfixiado pelas dificuldades diárias mas dependente do sistema, acaba por votar novamente nos mesmos de sempre, revalidando o livre-trânsito para mais um ciclo de destruição.

O inimigo da Madeira é interno, a Madeira Velha está de volta com outras caras. Não precisamos de ameaças externas quando quem governa e quem legisla na Região prefere assinar a sentença de morte da identidade, da paisagem e do futuro da ilha em troca do retorno financeiro imediato dos suspeitos do costume. Assistir a esta alienação de património icónico sem que ninguém imponha ordem é o reflexo de uma terra que está a ser vendida ao desbarato, pedaço a pedaço, com o carimbo oficial de quem a devia proteger.

E hoje? O povão cega-se com entretenimento do Albuquerque ou com mais uma iniciativa contra o interesse público em favor dos amigos do betão? O madeirense sempre sereno está-se a MATAR. Começo a não ter pena, superior é só de boca para encher egos saloios.

Um recado para o Diário de Notícias, em vésperas de eleições farão sairão notícias negativas para o GR? Claro que não, este é um fingimento de aniversário num tempo inócuo.

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