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Os exames e o bombeiro político

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ara o porta-voz do partido (Sebastião Bugalho) dar a cara numa manhã de sábado para anunciar o pagamento de horas extraordinárias, tentando estancar a polémica com o processo de correção dos exames nacionais e as falhas informáticas, mostra bem a necessidade de contenção de danos por parte do PSD. A revolta dos professores é grande, e não será de admirar que os alunos e famílias não confiem nos resultados, a pressão é tremenda e está a desgastar a imagem do Governo.

O partido dos cortes que destratou professores e contribuiu para a queda vertiginosa de quadros (os mais novos não querem ir para professor), chega agora com o argumento financeiro (as horas extra) como um penso rápido, para tapar uma incompetência estrutural de planeamento e falhas no sistema informático. A incompetência da tutela deu "munições" fáceis à oposição.

Este Ministro "despediu", extinguindo organismos na Educação, apostou em microempresa, perdeu know-how, é mais uma negociata com influência na vida de muitos.

O caos nos exames nacionais não foi um mero azar informático, mas sim o resultado previsível de um sistema montado à base de opacidade, amadorismo e soluções low-cost. O motor informático da plataforma de classificação (PCS) foi entregue a uma microempresa de comunicação e agência criativa chamada Blat – Creative Powerhouse (antiga Antebellum). Trata-se de uma estrutura com apenas 14 funcionários e uma faturação inferior a 580 mil euros.

No portal oficial de contratos públicos (BASE), a Blat regista apenas dois contratos com o IAVE que perfazem a quantia ridícula de 49 mil euros, o último dos quais expirou em 2023. Há um hiato contratual completo nos últimos anos que o Governo se recusa a explicar: como e sob que base legal é que uma agência criativa continuou a gerir o sistema crítico que processa as notas de centenas de milhares de alunos?

A plataforma foi desenhada originalmente em 2016 para um universo muito restrito de provas digitais. O ministério forçou um "salto de escala" para mais de 300 mil exames nacionais em papel (digitalizados à pressa), colapsando uma arquitetura que nunca foi pensada para aguentar tamanha carga.

Enquanto o IAVE injetou ao longo da década mais de 11 milhões de euros em grandes tecnológicas para consultoria e segurança, o coração do sistema que falhou foi deixado nesta solução precária. Confrontado, o Ministro da Educação baralhou-se nas datas e nas empresas (confundindo o histórico desde 2018), expondo uma total ignorância ou deliberada falta de transparência sobre quem realmente operava a "caixa negra" dos exames.

O Governo não está a pagar aos professores pelo "esforço extraordinário", mas sim a comprar o silêncio do país para abafar uma teia de incompetência e contratos de vão de escada que descredibilizaram o acesso ao Ensino Superior. Os fóruns dos professores estão a ferver, é por aí que o Ministério e o PSD sabe que está a ficar muito mal. É o exemplo perfeito de como a tutela falhou no básico, o planeamento e a transparência, e agora usa o orçamento público como bombeiro de serviço.

A Raquel Varela explica muito mais neste vídeo:

  • https://www.facebook.com/reel/1277324697623196

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