É
verão na Madeira, a época em que a marina do Funchal enche de visitantes e em que os proprietários de embarcações mais esperam poder finalmente usufruir do mar. Mas há um problema visível a quem por ali passa: o guindaste responsável por colocar e retirar os barcos da água está avariado, e assim permanece há já algum tempo, sem que exista qualquer alternativa à vista.
Basta caminhar pelo cais, em qualquer dia destas semanas, para perceber o impacto. Fileiras de embarcações continuam em terra, cobertas e imobilizadas, à espera de uma solução que tarda em chegar. Não há rampa de emergência, não há segundo guindaste móvel, não há mota de água ou qualquer outro meio provisório que permita, entretanto, dar aos utentes o acesso ao mar que pagam para ter. Há apenas um equipamento parado e um silêncio incómodo sobre quando isto ficará resolvido.
O que mais surpreende não é propriamente a avaria em si — equipamentos falham, isso é normal e acontece em qualquer instalação. O que verdadeiramente preocupa é a ausência de um plano de contingência. Numa marina que vive precisamente do movimento de embarcações, sobretudo entre junho e setembro, seria expectável que existisse uma resposta rápida para situações como esta. Em vez disso, o que se vê é a normalização de uma falha que devia ser tratada com urgência.
Os utentes pagam mensalidades, taxas de amarração e serviços que pressupõem, no mínimo, o acesso regular ao mar. Quando esse acesso é interrompido sem aviso, sem prazo e sem alternativa, é legítimo perguntar: quem responde por este prejuízo? Quantos dias de verão, a época alta por excelência para quem tem barco, se perdem enquanto se aguarda uma reparação sem data?
Fica também a questão de fundo: porque é que instalações que servem dezenas de embarcações não têm um equipamento de reserva, ou sequer um protocolo com outra entidade que permita dar resposta a estas situações? Não faltam exemplos, noutras marinas do país e do estrangeiro, de soluções alternativas simples e eficazes para estes casos — desde rampas de varadouro a acordos com operadores privados que disponibilizam guindastes móveis em caso de necessidade.
Esperamos que a administração responsável esclareça, com a brevidade possível, qual o prazo previsto para a reparação do equipamento e, sobretudo, que medida está a ser tomada, desde já, para minimizar o transtorno causado a quem depende deste serviço. Em plena época balnear, não é razoável que dezenas de embarcações fiquem retidas em terra por falta de um plano B.
Fica o repto: que esta situação sirva de alerta para que, no futuro, exista sempre uma alternativa preparada antes que a época alta volte a apanhar todos de surpresa. Até lá, ficam os barcos em terra e os seus donos à janela, a olhar para o mar que pagam para ter e que, por ora, lhes está vedado.
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