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Mata Hari no masculino?

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Há mais de um século, um nome que soa mas que poucos sabem o que foi em concreto existiu, Mata Hari. Nome artístico de Margaretha G. MacLeod, foi uma famosa dançarina exótica e cortesã que se tornou uma das figuras mais enigmáticas da Primeira Guerra Mundial. Aproveitando-se da sua fama, beleza e do livre trânsito entre a alta sociedade europeia e as elites políticas e militares da época, atuou como espia (ou agente dupla) para a França e para a Alemanha. Acabou por ser desmascarada pelos franceses, julgada por alta traição e executada por fuzilamento em 1917. Tornou-se um mito e sinónimo literário da femme fatale e da espionagem sedutora. Era neerlandesa, como Rutte.

A

minha opinião sobre Mark Rutte era exatamente o resumo da imagem do Luís Osório que envio. Estive uns tempos assim, mas depois comecei a desconfiar de uns pormenores. Porquê ser tão ostensivo a bajular Trump? É mesmo assim ou é para encaixar nele? Depois veio o episódio da Gronelândia, na primeira ofensiva de Trump. Rutte pegou em si e, muito amigo de Trump, foi a Washington informar que os europeus iam lixá-lo à grande, vendendo toda a dívida externa dos Estados Unidos numa ação concertada dos países da União Europeia e outros. Quando percebi o valor, também percebi que tinha usado a "bomba atómica" europeia na economia dos EUA. Ultrapassa os 3,16 biliões de dólares (3,16 triliões na nomenclatura anglo-saxónica). Para terem uma ideia dos três maiores credores mundiais: 1º Europa Reunida (Principais Detentores), 3,16 biliões; 2º Japão, 1,21 biliões; 3º China (Continental), 651 mil milhões. O Presidente transacional percebeu logo a mensagem e acalmou. Dizem que, quando o nosso inimigo está a falhar, devemos ficar quietos e calados, alimentar o ego de Trump e induzi-lo ao erro. Se ele erra, é em favor da Europa.

Deste episódio tudo o que fica é que estamos a investir como nunca em nós e se calhar vem mesmo a calhar para alavancar a economia europeia na defesa, tecnologia, banca e meios de pagamento, IA, datacenters, sucedâneos e nuvens, etc. Se apareceu este Presidente dos EUA assim, quem nos garante que não apareçam mais? Se o Canadá, vizinho e com grandes trocas económicas, foi o primeiro a procurar parceiros mais fiáveis, seríamos nós a alimentar um relacionamento que perdeu a confiança?

Do que mais precisamos agora? TEMPO! A defesa levará 5 a 10 anos a ser efetiva na Europa sem os EUA. O resto levará mais tempo. No fim, o que temos? A vaidade de Trump resultará num concorrente feroz e não num parceiro. Se o nosso inimigo erra e acordou a Europa, só precisamos de tempo.

Rutte, ou muito me engano, será no futuro um Mata Hari no masculino, jogando dos dois lados, mas sem nunca esquecer de onde provém. Dizem que, por conta da gestão da água e dos seus perigos nos Países Baixos, os neerlandeses são pragmáticos. Creio que temos que viver este mandato de Trump. Não sabemos o que vai conseguir com as alterações nos círculos eleitorais nos EUA — Novembro é daqui a uns meses —, mas Trump vai deixar "descendência" pior do que ele, ainda mais fanáticos, como Vance, por exemplo.

Pelo meio disto tivemos o exemplo de Zelensky na Casa Branca, aquele vexame, insulto, deslealdade e rebaixamento. O ucraniano sentiu-se mesmo mal naquele ambiente e ripostou. Trump é um predador dos fracos. Depois, os ucranianos mostraram a sua fibra e por estes dias Trump meteu a língua no saco — já a tinha metido quando a Ucrânia levou drones para os aliados dos EUA para tapar a asneira de estes terem hostilizado o Irão sem se lembrarem de proteger parceiros e aliados. O exemplo ficou para os europeus, Trump tem vistas curtas para aliados. Só entende a força.

Rutte está a fazer de Mata Hari para ganharmos tempo; está a ser fuzilado, mas talvez a história o absolva. Para sermos respeitados pela força, temos que construí-la neste novo tempo que aboliu o Direito Internacional e o multilateralismo, num mundo cada vez mais seduzido por ditadores, como se estivéssemos fartos do bem-estar que vivemos durante 70 anos. Estamos em presença de seres do século XIX em pleno século XXI. Se eles podem ferir, nós temos que saber jogar.

Em relação à Madeira, Albuquerque, pensando em mais obras para os amigos, quer ver se ganhamos algo com o investimento em Defesa que a Europa vai fazer. Era bom que pensasse no que aconteceu com os aliados dos EUA no Médio Oriente nesta guerra com o Irão. É preciso ser Mata Hari nestes tempos... saber jogar. Albuquerque é jogador, mas cega com a algibeira do gangue.

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