É preciso outra era no Turismo, uma desratização.
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Logo de arranque temos a manutenção das infraestruturas urbanas e a rigidez dos serviços de recolha de resíduos que, perante o turismo massivo, empurram a Madeira para um cenário de insalubridade, a produção de lixo disparou mas as rotas de recolha teimam em manter-se exatamente nos mesmos dias e horários de outrora. A acumulação inevitável de sacos e detritos orgânicos que transbordam dos contentores ao longo de vários dias, apodrecendo à vista de todos nas vias públicas antes de serem finalmente removidos é um maná para ratos. Este desfasamento absoluto entre a realidade do consumo atual e a resposta de quem governa e gere o território transforma o espaço público num foco contínuo de odores e contaminação, servindo de alimento e convite aberto ao descontrolo das pragas urbanas.
Caramba, nem a necessidade de abrir mais um aterro abre os olhos? Sempre a negação. A taxa turística tal como não acautela a degradação do piso das estradas também não dá para fortalecer a recolha de lixo?
O crescimento desenfreado do fluxo turístico na Madeira por um turismo "barato de supermercado" gerou uma pressão humana sem precedentes sobre a nossa pegada ecológica.
O lixo orgânico proveniente de hotéis, alojamentos locais, restauração, mas sobretudo deixado nos milhares de passeios pela ilha, colide diretamente com a incapacidade das infraestruturas em dar vazão a tanto desperdício. Temos toneladas de lixo orgânico mal gerido e a explosão no número de roedores pela ilha fora. É preciso fazer um desenho?
De nada serve um concelho fazer campanhas isoladas de desratização se as freguesias e concelhos vizinhos não acompanharem a medida. De nada serve uma campanha de desratização se o problema é de fluxo continuo do turismo da insustentabilidade. A ausência de um plano estratégico regional e concertado permite que os roedores simplesmente migrem de uma zona para a outra, perpetuando o ciclo.
Outra para "ajudar", o aumento gradual das temperaturas médias na Região favorece os ciclos de reprodução dos roedores, que agora encontram condições climáticas ideais para se multiplicarem durante quase todo o ano, sem os períodos naturais de quebra que o frio costumava trazer. Comerzinho e bom tempo, sem esquecer asa políticas do Eduardinho.
A verdade é que, se alguém se der ao trabalho de ir somando a quantidade de situações nefastas produzidas pela tutela de um só Secretário Regional, que foge dos problemas e assiste de braços cruzados à degradação da qualidade de vida, à asfixia dos serviços e ao colapso ambiental sob o pretexto da "galinha dos ovos de ouro" do turismo, percebe que esta praga é apenas o sintoma visível de uma governação que há muito perdeu o controlo do rumo da Madeira. Essa é a verdadeira rataria que põe isto do avesso.
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