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O crescimento destas espécies está descontrolado e supera largamente a capacidade de abate. Afinal, tal como acontece nas plantações agrícolas, a floresta exige manutenção contínua (como a rega) para que o trabalho vingue. No caso das infestantes, o desafio é ainda maior, devido à enorme profusão de sementes já acumuladas no solo, é obrigatório repetir os processos de erradicação a cada novo broto.
Moral da história, mesmo nos escassos locais onde o IFCN consegue intervir, as infestantes acabam por vencer. O pessoal, as máquinas e a verba disponível não chegam "para meia missa". Embora se registe alguma participação meritória da população nas ações de limpeza, o volume de trabalho por executar é descomunal e cresce exponencialmente a cada ano que passa. Continuamos sem uma verdadeira política de gestão florestal, por mais que a nossa terra arda e as infestantes se propaguem. Urge a pergunta, quando é que o orçamento habitualmente canalizado para o betão começará a ser aplicado na nossa floresta?
Escolhi o título "A vingança das infestantes" porque, se o cenário relatado até aqui já representa um castigo para governantes com prioridades invertidas, que aplicam o dinheiro público onde não devem e esquecem o essencial, há uma outra realidade paralela a reportar.
Hoje em dia, para os incautos verem, as bermas das estradas estão a ser aparadas à pressa com roçadoras. O habitual show-off. Nessas mesmas bermas cresciam Coroas-de-Henrique, Novelos (Hortênsias) e outras plantas que, embora classificadas tecnicamente como exóticas ou infestantes, estavam confinadas à rede viária, embelezando o espaço natural. Não consta que estas duas espécies tenham a capacidade de propagação descontrolada das urzes e das giestas, cujas sementes o vento e as aves espalham com enorme eficácia. São essas giestas que pintam as serras de um amarelo vistoso, mas que rapidamente podem passar a vermelho (pelo fogo) e, logo a seguir, a um preto calcinado.
Esta política de cosmética rodoviária ignora que a Madeira se vende ao mundo como um jardim. Destruir o manto colorido das nossas bermas para mostrar serviço é um tiro no pé do nosso turismo de natureza. Enquanto o executivo fecha os olhos ao interior da floresta e canaliza os fundos públicos para o betão das grandes empreitadas, os sapadores florestais continuam a ser uma miragem e o IFCN uma estrutura asfixiada. Não perceber que gerir o território é prevenir a próxima catástrofe de fogos nas zonas altas do Funchal é de uma enorme miopia política.
A verdadeira "vingança" reside na estupidez deste show-off de trazer homens com roçadoras para a estrada, executando um trabalho em grande parte dispensável que acaba por deixar a rede viária regional despida e feia, descaracterizando a nossa "Pérola do Atlântico". Enquanto se limpa o que estava confinado e bonito para parecer que se trabalha, as serras, sobretudo em redor do Funchal, continuam perigosamente combustíveis e repletas de verdadeiras infestantes.
O Governo Regional é composto por infestantes.
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