Precisamos de um novo 25 de abril na Madeira que traga liberdade para todos! Os funcionários do DN-M não se devem envergonhar, quem se deve envergonhar é o GR, consequentemente o PSD Madeira dos superlativos. Tudo isto é uma ilusão, como os "prémios". Basta acabar o dinheiro fácil que anda a domar toda a gente e teremos um dominó de peças a cair.
A
Vou fazer a leitura das contas do DN-M, num texto longo também para facilitar a não leitura. Um povo dedicado ao zapping não precisa de perceber como funciona a Madeira. Pão e Circo serve e o DN-M faz como ninguém essa parte com sucesso.
Cá vamos!
Embora a empresa apresente um resultado líquido positivo no ano de 2025 (um lucro de 224.810,13 €), a estrutura profunda do balanço revela vulnerabilidades financeiras gravíssimas, que em contabilidade apontam para uma situação de grande risco institucional.
Os principais pontos fracos extraídos diretamente dos números da contabilidade publicada são estes:
1. Falência Técnica humilhante (capitais próprios negativos)
O indicador mais alarmante de todo o balanço encontra-se na linha do Total do Capital Próprio:
- 2025: -2.725.366,70 € (Negativo em mais de 2,7 milhões de euros).
- 2024: -2.950.176,83 €.
Quando os Capitais Próprios são negativos, significa que a empresa está em situação de Falência Técnica. O valor total dos bens e direitos que a empresa possui (Ativo) é manifestamente insuficiente para cobrir aquilo que ela deve (Passivo). A empresa sobrevive essencialmente "à custa" de credores ou de injeções externas, violando formalmente o Artigo 35.º do Código das Sociedades Comerciais (perda de metade do capital social). É a minha opinião!
2. O "buraco" dos Resultados Transitados (Prejuízos Acumulados)
A razão principal para a falência técnica é o valor colossal registado em Resultados Transitados (que reflete o acumulado de prejuízos de anos anteriores que nunca foram saneados). A empresa carrega um "buraco histórico" de -11.023.274,33 € em 2025 (tinham sido -11.264.455,47 € em 2024).
Mesmo que o jornal dê pequenos lucros anuais (como os 224 mil euros de 2025), precisaria de quase 50 anos com este nível de lucros consecutivos apenas para abater o passivo acumulado do passado.
3. Asfixia financeira absoluta (crise de liquidez a curto prazo)
Se compararmos o Activo Corrente (bens que consegue transformar em dinheiro rapidamente, ou seja, caixa, depósitos, dívidas de clientes a receber) com o Passivo Corrente (dívidas de curto prazo que tem de pagar a fornecedores, Estado e bancos num prazo inferior a um ano), o cenário é assustador.
- Activo Corrente (2025): 528.418,52 €
- Passivo Corrente (2025): 3.752.586,38 €
O passivo a curto prazo é quase 7 vezes superior ao ativo disponível. O rácio de liquidez é catastrófico. Se todos os credores decidissem exigir o dinheiro em simultâneo no espaço de um ano, a empresa não teria qualquer capacidade de pagar, dependendo da boa vontade de renegociações e extensão de prazos.
4. Dependência de financiamentos bancários e outras dívidas
No Passivo Corrente sobressaem duas fatias pesadas que sufocam a operação:
- Financiamentos obtidos: 1.350.000,00 € (empréstimos bancários ou linhas de crédito de curto prazo).
- Outras dívidas a pagar: 1.432.301,73 €.
Isto demonstra que a estrutura do Diário de Notícias da Madeira está fortemente alavancada e dependente do oxigénio concedido pelo setor financeiro ou por entidades associadas/acionistas.
5. Dívidas ao Estado e a fornecedores
Mesmo em situação corrente, o DN-Madeira mantém valores muito elevados de dívidas por liquidar no curto prazo:
- Fornecedores: Deve 579.171,33 € (uma ligeira redução face aos 614 mil de 2024, mas ainda assim superior a todo o ativo corrente da empresa).
- Estado e outras entidades públicas: Regista 391.113,32 € em impostos e contribuições sociais em atraso ou a pagamento no curto prazo.
6. Encolhimento do Tamanho da Empresa (Perda de Ativos)
O Total do Activo da empresa sofreu uma quebra acentuada de um ano para o outro:
- 2024: 1.451.018,63 €
- 2025: 1.120.457,18 € (Uma redução de mais de 330 mil euros em património e direitos).
A perda de valor no ativo fixo tangível e o decréscimo de contas a receber indicam que a estrutura física e comercial da empresa está a encolher.
Primeiro resumo, uma síntese crítica:
O relatório tenta focar-se na "recuperação" e no resultado líquido positivo do exercício de 2025 para demonstrar viabilidade. Contudo, contabilisticamente, a empresa é um "gigante com pés de barro", está tecnicamente falida, tem um buraco acumulado de 11 milhões de euros, o seu passivo total (3,8 milhões €) esmaga por completo o seu ativo (1,1 milhões €) e sobrevive numa corda bamba de liquidez onde as dívidas a curto prazo asfixiam qualquer margem de manobra autónoma. O DN-M tem necessidade de prosseguir o "trabalho que anda a fazer"... não tem outra saída...
Vamos prosseguir com outros pormenores.
7. O papel das empresas do Grupo (GEPAC e GEPACOMA)
O texto faz menção direta a transações e saldos com empresas associadas que ajudam a decifrar a engenharia financeira do grupo. É citada a GEPAC (Gestão de Participações e Serviços) e a GEPACOMA (provavelmente ligada à comercialização e publicidade do grupo).
Há referências expressas a taxas de gestão (como a taxa de 306,75 €) e a saldos de contas correntes entre estas empresas (por exemplo, participações ou rendimentos associados à GEPAC na ordem dos 10.000,18 €).
Este fluxo interno é muito comum em grupos de comunicação social com dificuldades. Permite que as empresas do mesmo ecossistema transfiram liquidez ou "escondam" custos e proveitos entre si (operações com partes relacionadas) para evitar que a operação principal (o jornal impresso e digital) colapse de forma imediata.
8. A dependência dos fundos públicos regionais
Depois de ampliar bastante e fazer contraste, fica claro claro que o DN-Madeira depende crucialmente de contratos públicos com o Governo Regional da Madeira. É feita uma menção explícita a verbas do Departamento de Educação, Ciência e Tecnologia e da Secretaria Regional de Educação.
Sem a compra de assinaturas, publicidade institucional, as assinaturas em formato digital oferecidas às escolas/professores, ou os projetos apoiados de transição digital (que o texto cita), as receitas próprias de circulação e publicidade privada seriam manifestamente insuficientes para garantir a sobrevivência do jornal.
9. A certificação legal das contas com aviso
Na secção final (Certificação Legal das Contas), o auditor independente valida as demonstrações financeiras em termos numéricos, apontando o total de rendimentos na casa dos 3.500.715 € (o volume de negócios global da operação).
No entanto, ao carimbar as contas de uma empresa com mais de 11 milhões de prejuízos acumulados e capitais próprios negativos, qualquer auditor é obrigado por lei a colocar uma ênfase sobre a continuidade das operações. Ou seja, as contas estão certas na matemática, mas o auditor avisa os mercados e o tribunal de que a empresa só continua aberta porque os gerentes e os acionistas garantem que vão continuar a cobrir o buraco financeiro.
Segundo resumo, uma síntese crítica:
A Empresa do Diário de Notícias, Lda. está numa situação económica e financeira de extrema fragilidade. A operação é altamente dependente de subsídios/contratos com o Governo Regional da Madeira e de ajustamentos de contas com as empresas-mãe do grupo (GEPAC/GEPACOMA) para mascarar o passivo histórico de 11 milhões de euros.
Prosseguindo a análise...
Não é novidade, mas é preciso escrever. A triangulação institucional é o verdadeiro motor de sobrevivência da imprensa na região. Quando abrimos as contas do Diário de Notícias da Madeira, o "mercado publicitário" que lá aparece disfarçado de receita comercial privada é, em grande parte, alimentado por dinheiros públicos canalizados por três vias estruturais: o Governo Regional, as Câmaras Municipais e o programa MediaRAM.
Olhando para a realidade financeira e para os mecanismos legais que regulam o setor, eis como esse circuito funciona:
10. O Filtro do MediaRAM (Subvenções Estatais Mascaradas)
O MediaRAM (Programa Regional de Apoios à Comunicação Social Privada) é gerido precisamente pela Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, a mesma tutoria citada no relatório de contas do DN para a compra de assinaturas digitais nas escolas. Este programa serve para injetar apoios diretos à modernização tecnológica, transição digital e custos de funcionamento.
O "Truque" Contabilístico: Muitas destas verbas entram no balanço como "Outros Rendimentos Operacionais" ou "Subsídios à Exploração", ajudando a tapar diretamente os custos de pessoal e distribuição. Sem este oxigénio regulado pelo Governo Regional, o DN (e outros títulos) colapsariam devido aos custos fixos de manter jornalistas e gráfica.
11. A Publicidade das Câmaras Municipais (O Poder Local)
As autarquias da Região Autónoma da Madeira (especialmente as de maior dimensão, como o Funchal, Santa Cruz ou Câmara de Lobos) são clientes VIP do DN-M
Editais e Avisos Legais: por imposição da lei da contratação pública e do ordenamento do território, as Câmaras são obrigadas a publicar editais, concursos públicos, planos diretores municipais (PDM) e avisos em jornais de expansão regional.
Campanhas de propaganda discreta: além do obrigatório por lei, há uma injeção massiva em publicidade institucional direta (suplementos sobre festas concelhias, eventos culturais, publicações de balanços de mandato, etc.). Contabilisticamente, isto entra na linha de "Venda de Publicidade" (faturação comercial normal), mascarando o facto de que quem está a pagar a conta é o erário público municipal.
12. A publicidade do Governo Regional e Setor Empresarial Público
Tal como as Câmaras, o Governo Regional injeta dinheiro através da publicidade comercial direta nas páginas do DN e no portal digital. No entanto, o fluxo estende-se ao Setor Empresarial do Estado Regional (SERAM). Empresas públicas como o SESARAM (Saúde), a Horários do Funchal (transportes), a IASAÚDE, a EEM (Eletricidade) ou a IHM (Habitação) gastam anualmente milhares de euros em campanhas informativas e institucionais.
Ao entrarem nas contas do DN puramente como "receitas de clientes de publicidade", ajudam a inflacionar artificialmente o peso do "mercado privado", quando na verdade a fatura é liquidada pelos contribuintes madeirenses.
Terceiro e último resumo, uma síntese crítica:
Se somarmos a compra direta de assinaturas pelo Governo, os apoios diretos à exploração do MediaRAM e a faturação dissimulada de publicidade institucional paga por Câmaras Municipais e empresas públicas regionais, conclui-se que o "mercado livre" na comunicação social madeirense quase não existe. O mesmo problema dos clubes de futebol, que ainda assim têm as receitas televisivas.
O DN-Madeira não sobrevive dos leitores ou do comércio local, sobrevive porque se tornou um prestador de serviços dependente do poder político regional e local, o que levanta sempre o debate sobre a real independência editorial da imprensa perante quem lhe paga os salários ao fim do mês.
Termino dizendo o seguinte, a Madeira ostenta-se no Governo Regional, fala-se de Prémios, do PIB, de sempre o melhor disto e daquilo, com promoção obscena de figuras sinistras e incompetentes, etc., tudo isso é uma falácia da realidade da Madeira, o Governo faz sobreviver tudo, inclusive os empresários do regime. Esta imensa teia de dependências geram resultados eleitorais? Na minha opinião SIM!
Não pode haver independência. O Madeira Opina que prossiga o seu trabalho porque a Madeira bem precisa. Se os madeirenses quiserem saber. As contas do DN-M são um belo exemplo que esclarece tudo sobre a verdadeira realidade da Madeira.
Agradeço o vosso tempo, aqueles que me leram.
Legível a 400%:
Envie texto ou siga-nos nas redes sociais:


Regras e Diretrizes da Comunidade
1: Não publique e-mail ou qualquer tipo de informação pessoal.
2: Não publique links do seu próprio blog/site.
3: Não faça spam, respeite.
4: Para Ajuda e Suporte, utilize o formulário de Contato.