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Esta notícia, com esta clareza, confirma como muita gente é escolhida para tomar conta de um país por proximidade partidária. O problema é que acho que ela não é a única, apesar de Montenegro estar munido de um anão publicitário.
O panorama social e económico em Portugal neste último mês tem sido marcado por uma sequência de más notícias e sinais de alerta em sectores estruturais, que vão desde as contas públicas à Educação e à Saúde.
Após um período de excedentes que serviu de bandeira política, as contas públicas voltaram a derrapar. O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que Portugal arrancou o ano com um défice de 0,7% do PIB no primeiro trimestre. O motivo foi o ritmo de crescimento da despesa pública (que subiu 7,9%) ultrapassou significativamente o crescimento da receita (que ficou pelos 6%). Isto pressiona as metas orçamentais e reascende o debate sobre o descontrolo dos gastos do Estado.
Estamos neste momento a viver os problemas da introdução do novo modelo de correção digital das provas do 12.º ano (como o exame nacional de Português) que se transformou num autêntico pesadelo logístico e gera uma enorme polémica. Os Sindicatos e professores já tinham avisado que as infraestruturas de internet nas escolas "deixavam muito a desejar". O processo exige a digitalização física das folhas manuscritas dos alunos e a sua distribuição fragmentada e anónima por uma plataforma informática. A operação de transporte e recolha de segurança exigiu um esforço brutal das forças de segurança (PSP e GNR), muito superior aos anos anteriores. Os professores queixam-se de falta de transparência, perda de contexto pedagógico na avaliação ao corrigirem perguntas isoladas, e teme-se que a fiabilidade das notas fique beliscada, gerando ansiedade nas famílias.
Temos ainda a própria Ministra da Saúde que admitiu publicamente que vários investimentos na saúde correm o risco real de perder fundos do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), devido a atrasos crónicos na execução das obras e projetos planeados. Um relatório recente ("Saúde do Cérebro em Portugal") traçou um cenário negro: mais de metade dos portugueses sofrerá de uma doença neurológica ou mental ao longo da vida. Este problema estrutural já custa diretamente ao país mais de 4,7 mil milhões de euros por ano, num sistema de cuidados primários e hospitalares completamente entupido e sem capacidade de resposta articulada.
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