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Privatizando levadas e trilhos, passito a passito.

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á duas privatizações que vão acontecer, para isso acontecer é preciso depreciar, dar despesa e ir privatizando. Duas li no Madeira Opina, as levadas e trilhos e o porto de cruzeiros. Estamos na montagem do esquema para a privatização encapotada dos espaços naturais já está em marcha, avançando sob o pretexto da "segurança" e do "controlo". O Governo não sabe abrir concurso para funcionários ou isso é só para doutores e engenheiros da lista do PSD?

O modus operandi deste executivo é sempre o mesmo, cria-se ou permite-se o caos (falta de ordenamento, pressão turística descontrolada) para depois justificar a entrega do património público aos privados. A contratação da empresa de segurança privada Strong Charon por 320 mil euros, em vigor de abril até dezembro, para controlar o acesso a locais emblemáticos como o Pico do Areeiro, Ribeiro Frio, Achada do Teixeira, Queimadas e Ponta de São Lourenço, é o primeiro passo desta engrenagem.

Ao colocar vigilantes privados a controlar os caminhos, as levadas e os trilhos, o Governo prepara o terreno psicológico na população e nos turistas de que a Natureza na Madeira passa a ter um "porteiro". É a ante-sala perfeita para a introdução de taxas de entrada e reservas obrigatórias geridas por plataformas externas, mercantilizando o que devia ser livre. O madeirense sempre calado.

O erário público não só financia o contrato de 320 mil euros com a empresa privada, como continua a pagar mais de 300 euros por dia por policiamento gratificado da PSP na Ponta de São Lourenço. Ou seja, o cidadão paga duas vezes para ver o seu acesso à serra ser condicionado por segurança privada. O turismo massivo vale mesmo a pena?

Em vez de capacitar o Corpo de Vigilantes da Natureza (funcionários públicos do IFCN com competências reais de fiscalização ambiental), o Governo prefere injetar dinheiro público em empresas de segurança privada. O objetivo a longo prazo é óbvio: esvaziar as funções do Estado para que a gestão de concessões, quiosques, acessos e serviços turísticos nestes trilhos seja totalmente entregue a privados amigos do regime.

Os trilhos e as levadas, que moldaram a identidade da Madeira e a subsistência da sua população, estão a ser transformados num parque de diversões privado com controlo de acessos à cabeça. É a mercantilização do bem comum à vista de todos. O madeirense não se importa se tiver o seu pão, entretenimento e circo. Não compreendo esta passividade.

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