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Enquanto o chefe do Executivo resguarda-se na gestão das grandes movimentações financeiras, os seus secretários regionais parecem deambular sem rumo claro. São figuras que surgem, muitas vezes, desprovidas de uma matriz ideológica sólida ou de uma ligação profunda às bases partidárias que sustentam o projeto autonómico. O resultado é uma governação tecnocrática, conduzida por uma elite que parece mais preocupada em cumprir cartilhas e agradar aos "patrões do Governo", os grandes grupos económicos que historicamente moldam a economia regional e continuam a ganhar todos os concursos como se fosse normal. Ninguém ouve ou responde às aspirações reais da população. Até porque ela continua a dar vitórias ao PSD, a menos que as eleições sejam todas um embuste.
A contradição mais gritante desta realidade está expressa nos números. A Região apresenta um crescimento contínuo do Produto Interno Bruto (PIB) e bate recordes de receitas no turismo, mas este sucesso macroeconómico não se traduz na mesa das famílias. O madeirense vive cada ve mais à parte, excetuando-se os amigos de Albuquerque que o defendem como feras e em fanatismo que lucra.
A paradoxal realidade madeirense, quanto mais a economia regional cresce no papel, mais o cidadão comum empobrece face ao custo de vida sufocante, à crise na habitação e à perda de poder de compra. Ainda mais paradoxal é o PSD ganhar, será que os pobres e quem não sente atenção de Albuquerque morrem ou emigram?
Este desfasamento, cada vez mais PIB e cada vez mais pobres, é a prova inequívoca de que o povo foi esquecido. A Autonomia não foi conquistada para servir de tapete vermelho a monopólios ou para criar uma clivagem ainda maior entre os que tudo têm e os que trabalham sem conseguir chegar ao fim do mês. Quando um governo abdica de governar para a coesão social e passa a gerir o arquipélago como se fosse uma empresa privada, a Autonomia perde o seu espírito e esvazia-se do seu propósito fundamental: servir os madeirenses.
Mas tudo isto desmorona em dois tempos e quem lucra sabe, por isso estão sôfregos para ganhar tudo de uma vez enquanto dá. O desperdício de tempo focado a enriquecer meia dúzia está a matar décadas de apoio da União Europeia ... que vai acabar. Seremos pobres como começamos, porque o inimigo "externo" é o PSD Madeira.
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