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UMa sinistra

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Mais episódios da novela edital 902/2025 onde o proponente a genro ganha concurso em 1, a 2 ordenada desiste e foge, finalmente os RH resgatam um "Não Recomendado".

N

a folha de ordenação do mais recente concurso para professores auxiliares na Universidade da Madeira (UMa)(p. 1). Num enredo digno de uma telenovela mexicanas sobre o funcionalismo público, o júri conseguiu a proeza de transformar um concurso público internacional de Engenharia Civil e Geotecnia numa autêntica comédia de enganos (p. 1). Tudo começou com a escolha — puramente científica e meritória, com certeza — do 1.º classificado, que por mero acaso cósmico é apontado como proponente a genro do Reitor da instituição. O felizardo ostenta um Índice H de 10 (p. 36). Curiosamente, uma Candidata excluída logo na fase de mérito absoluto por "questões burocráticas" tinha exatamente o mesmo Índice H (10) (pp. 4, 36) e note-se, leciona a mais de 4 anos no DECG, como manda o Código do Procedimento Administrativo (CPA), esta usou os seus direitos quer na audiência prévia quer no recurso hierárquico, apresentando listas completas de itens que rebatiam a sua exclusão (p. 3), mas o seu trabalho foi em vão. O júri, contudo, munido de uma preguiça jurídica invejável, decidiu ignorar os detalhes e limitar-se a manter a posição, sem dar uma única resposta detalhada (p. 1).

A verdadeira magia administrativa aconteceu recentemente, a 2.º classificada olhou para a vaga, olhou para o ambiente e decidiu que preferia não assinar o contrato (p. 3). Em pânico com a vaga deserta, a reitoria e os Recursos Humanos ativaram o modo "desespero". Em vez de repetirem o concurso ou avaliarem a candidata injustamente afastada, decidiram contactar diretamente o 3.º classificado (p. 2).

O pormenor delicioso? Este 3.º classificado tinha sido classificado pelo próprio júri como "Não recomendado" (pp. 7, 23). Mas nos RH da UMa, um "Não recomendado" é apenas um detalhe técnico pois eles cumprem sempre a lei.

O H-Index dos Sobreviventes

Para quem gosta de estatística, a tabela de competência científica deste concurso ficou assim configurada:

  • 1.º classificado (O proponente a Genro): H-Index 10. (Aprovado e recomendado) (pp. 2, 36).
  • Candidata excluída: H-Index 10. (Ignorada com sucesso e com folha bem feita por alguém que achou que era uma ameaça) (pp. 4, 36).
  • 2.º classificada (A Sensata): H-Index 5. (Desistiu a tempo) (pp. 3, 37).
  • 3.º classificado (O Resgatado): H-Index 5. (Chumbado pelo júri, mas convidado pelos RH) (pp. 7, 23, 36).
  • 4.º classificado: H-Index 4. (Não teve tanta sorte no sorteio) (pp. 10, 37).

E agora, o que vão fazer?

Resta saber se os RH vão mesmo avançar com a contratação de um docente oficialmente carimbado como inadequado pelo júri científico (p. 23). O caso tem tudo para seguir para o Tribunal Administrativo, onde os juízes costumam ter a mania de aplicar o ECDU e o CPA. Até lá, a UMa continua a dar lições, não de Engenharia Civil, mas de como construir lugares à medida dos familiares e amigos.

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