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A inoperacionalidade de Santa Helena

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 tema inoperacionalidade do nosso aeroporto está de volta, mas existem outras áreas e ilhas no mundo que partilham do mesmíssimo drama de engenharia e meteorologia que o Aeroporto da Madeira, ou seja, a proximidade de montanhas altas junto à costa, que geram turbulência mecânica, tesouras de vento (windshear) e efeitos de esteira orográfica quando o vento bate no relevo. Se não querem implementar a solução do Porto Santo (proximidade), já foram ao menos ver o que fazem os outros?

O caso mais idêntico e famoso a nível mundial ao nosso fica na Ilha de Santa Helena (um território ultramarino britânico no meio do Atlântico Sul, entre Angola e o Brasil). Foi inaugurado em 2016, o aeroporto foi construído no topo de uma falésia. Logo nos primeiros voos de teste com aviões comerciais de "grande" porte (como o Boeing 737), os pilotos depararam-se com uma turbulência severa e windshear extremo na aproximação à pista, exatamente devido ao vento que batia nas rochas e criava remoinhos impossíveis de prever. O aeroporto chegou a ser apelidado pela imprensa como "o mais inútil do mundo" porque os aviões não conseguiam aterrar.

Pensaram em soluções, começaram pelas mais baratas, coisa que não vejo aqui com a gula do turismo massivo. Em vez de operarem com os habituais Boeing 737 ou Airbus A320, a solução passou por utilizar aviões ligeiramente mais pequenos e com melhor performance para lidar com ventos cruzados e correntes descendentes, nomeadamente o Embraer E190 (operado pela Airlink). É curioso que a TAP esteja a usar cada vez mais Embraers para a Madeira.

Os voos em Santa Helena operam com limites rigorosos de carga e passageiros para garantir que o avião tem potência e agilidade extra para borregar se necessário. Ninguém fala disso aqui, porque não interessa e os preços encarecem para o turismo massivo. Isto está cheio por preços de uva mijona.

Nenhum país conseguiu "mudar o vento", pelo que as soluções na aviação moderna para este problema assentam sempre em três pilares:

  • Tecnologia de deteção avançada (LIDAR/Radares como o de Hong Kong e agora o MAD Winds na Madeira).
  • Adequação do tipo de aeronave (como o caso dos Embraer em Santa Helena).
  • Treino dos pilotos e manutenção de limites mínimos de segurança inegociáveis.

Nunca vi a solução de políticos a pressionar para que outros assinem regras mais "relaxadas", enquanto eles nem dão a cara nas inoperacionalidades.

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