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A desgraça vem a caminho, continua em festa.

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érgio Gonçalves começa a perceber as mudanças, mas ele próprio tem a mesma mentalidade do PSD-M, eu se fosse socialista diria que o PSD esteve 50 anos a tratar da vida dos seus e a fabricar pobres e, agora, deveríamos estar por nossa conta, mas a Europa que sustenta os pobres e as deficiências estruturais vai se dedicar a outros desafios e mostrar como o PSD se esqueceu do social. É ver a pobreza, o inverno demográfico, o custo de vida e as pessoas a emigrar para construir um resort no Atlântico.

Muda o chip Sérgio Gonçalves, diz a verdade!

Esta notícia do JM, traz à superfície uma das ameaças mais silenciosas e perigosas para o futuro da nossa terra, numa terra de gente anestesiada ou "drogada". A manchete "Mexidas na Comissão Europeia preocupam" e o subtítulo sobre a potencial extinção da estrutura de política regional revelam um rombo gigante na forma como a Madeira se vai financiar e defender em Bruxelas nos próximos anos.

No Madeira Opina houve vários avisos para mudar o modelo, agora é talvez hora de ressuscitar esses textos, é bom ter um site com histórico em vez de bocas de consumo rápido nas redes sociais,

A grande preocupação manifestada pelo eurodeputado Sérgio Gonçalves é a possível extinção ou enfraquecimento da Direção-Geral da Política Regional e Urbana (DG REGIO). O que isto significa na prática? Ao longo de décadas, a DG REGIO foi a estrutura que acumulou a experiência técnica para lidar com as assimetrias territoriais e gerir os fundos de coesão. Se ela for diluída em "estruturas menos especializadas", a Madeira perde o seu interlocutor direto.

Passamos de uma prioridade clara a um mero "rodapé" burocrático numa comissão europeia focada noutras agendas (como a defesa ou a transição digital global), onde os problemas de uma ilha ultraperiférica no Atlântico pesam zero. Mas atenção, deram-nos décadas de avanço! E desaproveitamos no social, como acabamos de ver no PRR.

Nós fartamo-nos de dizer que a Madeira tem custos acrescidos por ser uma ilha, a insularidade, o mercado pequeno, o relevo. A União Europeia reconhece isto no Artigo 349.º do Tratado de Lisboa.

Se a política de coesão perde força, como alerta a carta enviada a Ursula von der Leyen, a "leitura específica" dos nossos problemas desaparece. Deixamos de ser tratados como uma região com constrangimentos permanentes e passamos a ser medidos pela mesma bitola de uma região rica do centro da Europa. Isso é o princípio do fim dos fundos comunitários majorados para as nossas obras, portos e aeroportos. E os nossos trasportes estão uma bandalheira pelos abusos do ex patrão de Sérgio Gonçalves.

Embora a notícia se foque no nível europeu, a ilação política para nós, madeirenses, é catastrófica no plano nacional. Se a União Europeia deixa de canalizar os fundos através de programas operacionais regionais específicos e passa a entregar "cheques globais" aos Estados-Membros para gerirem a nível central... já podem imaginar com o tipo de relacionamento que fomentamos com todos!

  • O dinheiro do próximo quadro comunitário vai ficar retido nos ministérios em Lisboa.
  • A nossa Autonomia Regional sofre um golpe brutal. Em vez de gerirmos o dinheiro cá em função das nossas reais necessidades, passamos a ter de ir a Lisboa mendigar verbas e autorizações para investimentos básicos.

Aqui entra a ironia política. Enquanto o regime da nossa praça passa a vida a encenar "guerras" com Lisboa e a berrar por mais autonomia para consumo interno, o verdadeiro tapete está a ser-lhes tirado debaixo dos pés em Bruxelas.

Se o canal de cooperação consolidado da DG REGIO enfraquecer, a capacidade do governo regional de negociar diretamente envelopes financeiros gordos esvai-se. E quando o dinheiro da Europa minguar a sério, o modelo económico do regime, assente no betão, nos subsídios e na dívida camuflada, colapsa por completo. Esses grandes Governantes ficarão sem dinheiro e sem a Europa com a mão social.

 Esta reestruturação europeia não é uma mera "dança de cadeiras" burocrática. É a preparação para o fecho da torneira dos fundos de coesão tal como os conhecemos. Se a Madeira perde a sua voz e o seu estatuto especial em Bruxelas, o futuro da nossa economia insular fica seriamente hipotecado. É bom que a opinião pública acorde para isto, porque o cimento fácil está com os dias contados.

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