Albuquerque está com o rabo entre as pernas no Congresso do PSD.
A política tem destas reviravoltas dramáticas, e Miguel Albuquerque acabou por sentir na pele o peso do isolamento partidário. Foi para tosquiar e saiu tosquiado, não vou e não preciso, depois aparece com o rabo entre as pernas. Quando a poeira assenta e o pragmatismo fala mais alto, a perspetiva de quem decide recuar muda radicalmente. Miguelzinho impulsivo. Eu nem sei porque o PSD o aceitou de volta. Albuquerque depois dos arrufos, iguais aos de Trump, pensou melhor na vida como andaria para trás se cortasse os contactos com "Lisboa", isto acontece porque o indivíduo controla tudo na Madeira sonhou que fazia o mesmo fora da Madeira.
Num primeiro momento de impulsividade e orgulho regional, a postura de "orgulhosamente sós" ou de afrontamento a Lisboa parece funcionar para consumo interno na Madeira. No entanto, Albuquerque terá percebido rapidamente o erro de cálculo, o PSD nacional é o seu maior escudo protetor. Pensou, "se eu me isolar totalmente da liderança nacional e cortar pontes com Luís Montenegro, fico sem rede de segurança em São Bento e em Belém. Quem me vai segurar quando a oposição regional ou as investigações apertarem o cerco?"
O desprezo inicial pelo Congresso Nacional poderia ser lido em Lisboa como uma declaração de guerra ou de irrelevância. Albuquerque sabe perfeitamente que o PSD/Madeira não é um bloco monolítico inquebrável, existem correntes internas e figuras à espreita de uma oportunidade de meter os patins na Madeira. Essa falta de apoio até poderia sugerir algo na Justiça...
Pensamento, "se eu não aparecer para marcar território e mostrar vénia institucional ao aparelho nacional, dou espaço para que os meus rivais internos na Madeira se alinhem com Lisboa e comecem a minar a minha liderança pelas costas. Tenho de saber sentar-me à mesa na São Caetano à Lapa."
A Madeira depende crucialmente de negociações diretas com o Governo da República (seja pela Lei das Finanças Regionais, avales de dívida ou fundos europeus). Bater com a porta no maior palco do partido que governa o país seria um suicídio político e económico a médio prazo.
Pensamento "o orgulho não paga as contas da Região. Se eu esticar a corda ao ponto de romper com o Primeiro-Ministro, a Madeira perde força negocial. Vale mais engolir o sapo vivo, aparecer no Congresso com um sorriso diplomático e garantir que os canais de comunicação continuam abertos."
O "rabo entre as pernas" foi o clássico banho de água fria do pragmatismo político sobre a impulsividade. Miguelzinho percebeu que tinha muito mais a perder do que a ganhar. Para manter a sobrevivência política na Madeira, teve de aceitar a coreografia de poder em Lisboa, mesmo que isso beliscasse a sua imagem de líder intocável.
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