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A sintonizar estações...

Ronaldo, emoções e pragamatismo.

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 grande problema no debate em torno de Cristiano Ronaldo é a divisão clara entre duas visões, uns querem genuinamente ganhar o Mundial, enquanto outros acham que basta adorar a celebridade.

Sendo o Campeonato do Mundo a prova rainha, é verdade que reúne os melhores de cada continente. Contudo, nesta primeira fase, deparamo-nos frequentemente com grupos desequilibrados devido a zonas teoricamente mais fracas. O verdadeiro teste surge na fase seguinte, onde apenas os melhores sobrevivem e a competição se torna robusta. É precisamente por isso que as pessoas ficam tão nervosas quando a seleção falha contra equipas acessíveis. Quando não se engrena nesta fase menos exigente, a falta de confiança apodera-se instantaneamente do adepto.

A partir daí, cai-se inevitavelmente na discussão sobre quem rende menos e quem dá mais à equipa. Num Mundial, a alta competição exige que o bloco jogue de forma compacta, a defender e a atacar. Avançados e médios têm de ser os primeiros a ajudar a quebrar os ataques e contra-ataques adversários. Isto exige resistência, clarividência e inteligência tática. Um Mundial não é um jogo de "solteiros contra casados", é intenso e exigente, é para capazes. Enquanto já vemos seleções a assumirem-se como reais candidatas ao troféu, Portugal ainda não o fez. Pelo caminho, estão a neutralizar-se jogadores com enorme capacidade para produzir por Portugal, retirando-lhes oportunidades.

No fundo, há quem feche os olhos a isto por oportunismo. O Mundial não vai entregar a Taça a quem passa ao lado da exigência. No futebol de topo, jogar com menos um por expulsão costuma ser fatal devido ao desequilíbrio gerado. Ora, quando é a própria seleção a preterir voluntariamente de um lugar em campo por causa do estatuto de alguém, isso roça a insanidade.

Mais do que o Ronaldo em si, há quem não consiga encaixar o fim de uma era. Há muita gente nas costas dele que teme perder o pé e o protagonismo, seja nos negócios ou no orgulho próprio. Sofrem do mesmo mal do Ronaldo e, por isso, enfurecem-se, e daquelas irmãs, valha-me Deus! Ronaldo, tal como Alberto João Jardim, partilha do mesmo defeito, não soube sair a tempo. Estamos a ver outro pormenor, na discussão Messi vs Ronaldo, percebemos com a idade o que é nato prevalece, o que é físico decai.

Passa-se exatamente a mesma discussão no Brasil com o Neymar, mas observem a forma pragmática como Carlo Ancelotti faz a gestão de egos.

Esta falta de pragmatismo e a sobreposição das emoções toldam o julgamento. Afinal, alguém deixou de honrar Ronaldo em todas as oportunidades que ele mereceu? Ninguém, Ronaldo teve tudo. Os mais ofensivos deste debate, que vemos nas redes sociais, são os mesmos oportunistas de sempre a capitalizarem as emoções num torneio que exige pura competência. Aproveitam-se do desconhecimento e do culto à celebridade.

Quer queiram, quer não, os defeitos de uma equipa estão sempre lá, escondidos no subconsciente, e só as vitórias os conseguem aprisionar. Quando a vitória não aparece, abre-se a caixa de Pandora. A pergunta que resta é simples: queremos ganhar o Mundial ou queremos apenas manter a celebridade?

O Ronaldo deve fazer uma introspeção em vez e falar "politicamente correcto", para alimentar emoções, o pragmatismo é o que faz vencer o Mundial. Ronaldo não deve consumir o seu mérito e também deve pensar que nem sempre os países têm gerações de ouro.

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