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Antes de arder mais de meio milhão num jantar nos EUA, Albuquerque não queria saber nada do Congresso do PSD, mas depois pensou bem como ficaria isolado quando o dinheiro para a Madeira vai ser centralizado fora de portas. Então decidiu aparecer, mas assanhado e desconfortável, para não dar a parte fraca com rabo entre as pernas, decidiu sacanear o Congresso do PSD.
No início de junho, depois de meses de fricção (acentuada pela baixíssima participação da Madeira nas diretas nacionais do partido, onde apenas 11% dos votantes madeirenses apoiaram Montenegro, Albuquerque ameaça publicamente não presidir aos trabalhos do Congresso Nacional. A sua ausência como presidente cessante da Mesa seria uma afronta política grave à direção nacional. Eu acho que a confusão serviu para esconder a fraqueza atual do PSD Madeira em relação à militância.
A 17 de junho, depois do ruído e da especulação de que faltaria devido a uma viagem aos Estados Unidos, Miguel Albuquerque recua e confirma oficialmente que estará presente em Anadia, desfazendo o tabu.
A 20 de junho, Albuquerque chega a Anadia e assume a presidência da Mesa do Congresso. À entrada, deixa claro aos jornalistas que não se vai recandidatar ao cargo (sendo sucedido por José Manuel Bolieiro, dos Açores) e lança o mote: "Quem não fala, Deus não ouve", exigindo que o executivo nacional se concentre no futuro do país. Um abraço público sela as pazes aparentes com a estrutura nacional.
No seu discurso perante os congressistas, Albuquerque faz questão de marcar a sua habitual franqueza e irreverência: "Digo o que tenho a dizer e não tenho medo de partir ovos", atirando ainda que "não tenho tempo para os ofendidinhos" da política nacional. Ai Miguel se eles ofendiam a Madeira como o PSD-M sempre ofende como não seria...
Durante a mesma sessão de sábado à tarde, quando estava a gerir os tempos das intervenções de forma implacável e alguns delegados começaram a protestar no plenário pelo rigor do relógio, Albuquerque não se conteve e disparou mais uma das suas: "Não vale a pena estarem aí a rezingar, o tempo é igual para todos!"
Aproveitando-se, o Secretário-Geral do PSD, Hugo Soares, durante a sua intervenção no Congresso acabou por ter um dos mais comentados porque misturou a tensão política com alguma descontração partidária. Hugo Soares, ao dirigir-se à Mesa, chamou publicamente Albuquerque de "rezingão". O nome vai ficar?
O ambiente prosseguiu na polémica da gestão dos trabalhos quando o eurodeputado Sebastião Bugalho ultrapassa o tempo regulamentar da sua intervenção. Albuquerque interrompe-o abruptamente ao microfone da Mesa com uma boca direta: “Já passou o seu tempo, aqui não há estrelas”. Bugalho não se ficou e respondeu logo em cima: “Aqui não há estrelas senhor presidente, porque somos sete lá em Bruxelas” e atenção que a Madeira não elegeu nenhum deputado para o Parlamento Europeu.
No final das contas, a comitiva do PSD-Madeira foi das mais magras de sempre em congressos nacionais, mas o estilo implacável e conflituoso de Albuquerque garantiu que a Madeira fizesse barulho suficiente no Velódromo de Sangalhos.
Albuquerque com isto escondeu a fraqueza do PSD-M, mas sobretudo o seu isolamento. para consumo interno, para os caciques do PSD-M foi o melhor congresso de sempre.
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