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Educação: incompetência de largo espectro.

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  • https://www.jn.pt/nacional/artigo/professores-reformados-estao-a-ser-convocados-para-corrigir-exames-nacionais/18099775

A

 convocação de professores reformados para mitigar o atraso e a escassez de classificadores nos exames nacionais é um retrato acabado do colapso estrutural que atinge o sistema educativo português. Passaram anos a destratar os professores, a retirar a autoridade, a vulgarizar a profissão, agora precisam até dos reformados. Daqui a poucos anos como vai ser? O IA vai corrigir e interpretar?

Recorrer a quem já cumpriu a sua carreira, para salvar um calendário letivo apertado, demonstra mais uma vertente incompetente deste Governo de Montenegro, de largo espectro, que as plataformas digitais e os modelos burocráticos falharam em antecipar as necessidades reais das escolas. Trata-se de um remendo de última hora que expõe a total incapacidade de planeamento por parte das tutelas da educação. Aflição.

Esta medida funciona também como um atestado de desgaste da própria carreira docente. Se os professores no ativo estão sobrecarregados, desmotivados e, em muitos casos, a recusar ou a ver-se impossibilitados de assumir mais este fardo burocrático e mal pago, o sistema fica sem alternativas viáveis a não ser "chamar a velha guarda". O Ministério da Educação acaba por confessar, de forma indireta, que não consegue renovar os quadros nem tornar a função de avaliador minimamente apelativa para as novas gerações de docentes. Continuem a destratar os professores!

No fim da linha, quem paga a fatura desta disfuncionalidade são os estudantes, que dependem destas classificações para o acesso ao ensino superior e se veem condicionados por um processo marcado por atrasos e correções feitas sob pressão. Utilizar professores reformados pode resolver a urgência estatística do prazo de 10 de julho, mas deixa claro que a escola pública está a sobreviver à custa do voluntarismo e do esforço de quem já devia estar a gozar o seu merecido descanso.

Com o caos instalado no processo de distribuição de provas para correção, ainda há o desplante em afirmar que se mantém o prazo final. A barraca é enorme, os responsáveis por este novo processo empurram o problema para os docentes corretores. Estes, alheios a este descalabro, e por amor à camisola, trabalharão intensamente, farão tudo para concluir sua tarefa atempadamente. Os responsáveis pela inovação neste processo não cumprem prazos, cometem erros inadmissíveis, no entanto, confiam que tudo esteja concluído no prazo. Esses vão colher os louros alheios? Qual a repercussão política? O Ministro demite-se?

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