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Não estamos tontos quando nos queixamos de que perdemos quase tudo, a nossa ilha, os nossos lugares, a qualidade de vida, o poder de compra, etc.
A nível nacional, Portugal é apontado como um dos países que enfrentará os maiores aumentos de rendas nos próximos anos, um fenómeno diretamente associado ao crescimento do turismo por via aérea. As projeções para o período entre 2026 e 2031 apontam para uma subida de 12,6% nas chegadas de passageiros, o que se traduzirá num acréscimo médio de 4.100 euros no preço das casas e num aumento anual de 193 euros nas rendas por agregado familiar. Numa análise mais alargada, entre 2019 e 2031, o país acumula uma subida turística de 29%, resultando num agravamento médio de 9.500 euros nas habitações e numa variação de 3,9% nas rendas, a segunda mais alta da amostra, sendo superada apenas pela Grécia.
Vamos emigrar cada vez mais e mingar no Inverno Demográfico. Alguns dos nossos tomaram a decisão deste suicídio porque são egoístas e têm poder.
O relatório desconstrói a narrativa tradicional de que o turismo beneficia a economia de forma equitativa, demonstrando que o modelo atual funciona, na verdade, como uma transferência de riqueza dos inquilinos para os proprietários imobiliários. O impacto financeiro recai desproporcionalmente sobre as famílias com rendimentos mais baixos. Em países analisados detalhadamente, como França, Itália e Grécia, 530 milhões de euros do encargo anual adicional com rendas afetam o quintil mais pobre, face a apenas 140 milhões sobre o quintil mais rico. Além disso, embora Portugal registe crescimento salarial real no setor devido às políticas de salário mínimo, os autores alertam que estes ganhos coexistem com uma queda de produtividade na hotelaria e restauração, significando que o valor gerado beneficia sobretudo os detentores de capital e não os trabalhadores.
O documento deixa recomendações duras aos governos europeus, exigindo a adoção de medidas cirúrgicas para conter a crise habitacional. Entre as propostas sublinhadas estão a integração dos impactos nos preços das casas e rendas nas avaliações de impacto económico do transporte aéreo, bem como o uso da gestão da capacidade aeroportuária e de impostos como ferramentas de controlo imobiliário. Adicionalmente, recomendam a ponderação de reduzir as chegadas aéreas em regiões que se aproximam do ponto de saturação e o incentivo a modelos de negócio turísticos assentes na propriedade local, cooperativas e pequenas dimensões, em detrimento das grandes cadeias hoteleiras.
Sabemos que na nossa terra ninguém fará isto, emigre para ter outras oportunidades. A nossa Madeira é para desaparecer, sob o ponto de vista do madeirense. Expulsos para resorts e campos de golfe, AL's e rent-a-cars, imigrantes baratos e gentrificação, fim da identidade, uns ciganos sem terra.
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