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O erro africano, a Madeira vai pertencer a quem?

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Os madeirenses estão a perceber que a ilha está a ser vendida e já pouco se houve falar madeirense. O povo que vai para metade da sua população nativa porque não consegue procriar com esta economia para estrangeiros e baixo vencimentos, ainda terá a sua machadada final, de tanta autonomia que queria que acabarão escravos.

E

nquanto a nível nacional o Governo de Luís Montenegro ensaia a criação de um Fundo Soberano para intervir em áreas estratégicas do país, ao mesmo tempo que contraditoriamente assiste à venda de ativos cruciais como a refinaria da GALP, a Madeira segue uma receita local ainda mais perigosa. O PSD regional optou por concentrar o controlo económico e os setores vitais da ilha nas mãos de meia dúzia de empresas do regime, asfixiando a concorrência e o mercado livre sob o pretexto de uma suposta estabilidade. Eu diria que é para enriquecer empresários e políticos.

Este modelo de centralização empresarial não é novo na sua essência, é a evolução de um "esquema" político refinado ao longo de 50 anos de regime. No passado, o partido utilizou as Casas do Povo para esvaziar as competências e o poder das Juntas de Freguesia geridas pela oposição. Essa mesma estratégia foca-se também na economia, blindando as empresas dos oligarcas madeirenses sob a capa de uma suposta proteção ao "comércio local" contra os "lobos e tubarões" financeiros de fora. O resultado desse protecionismo de regime está à vista de todos, criaram-se autênticos monopólios privados que tutelam a economia e gerem o fluxo financeiro da Região Autónoma à sua vontade. O PIB. Quem paga a fatura é o cidadão comum que, refém de um serviço cada vez pior, é obrigado a pagar caro e a esperar semanas ou meses para ver as suas encomendas ou serviços entregues.

Contudo, a gula pelo controlo absoluto cega os governantes para os riscos óbvios da globalização económica. Ao afunilar toda a riqueza, as concessões e os serviços essenciais do arquipélago num restrito grupo de operadores privados, o executivo criou um alvo perfeito. Estas empresas do regime tornaram-se apetecíveis e, acima de tudo, vulneráveis ao capital externo que procura posições estratégicas na Europa e nas rotas atlânticas.

A grande questão que se impõe para o futuro é inevitável, o que acontecerá à Madeira se o dinheiro de oligarcas russos ou de megaempresas estatais chinesas decidirem comprar esse punhado de empresas que hoje dominam a ilha? Quando o capital estrangeiro bater à porta com propostas irrecusáveis, os empresários de estimação do regime venderão os seus ativos e, num piscar de olhos, o controlo da energia, dos transportes, portos, natureza, estradas, águas ou do betão passará para mãos externas sobre as quais o Palácio da Quinta Vigia não tem qualquer soberania.

A história ensina que a ganância e a centralização excessiva acabam por ditar a queda dos regimes. Ao querer controlar tudo e todos através dos suspeitos do costume, o PSD arrisca-se a perder a mão em tudo da noite para o dia. A Madeira corre o risco real de acordar governada não a partir do Funchal, mas sim de Moscovo ou Pequim, provando que a gula política e económica do presente será a ruína da autonomia no futuro.

Anos e anos de inimigo externo, agora está claro que ele sempre foi interno, sem pudor e sem "filiação" capaz, venderão sem pudor.

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