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Com o fim do limite, a Madeira continua a ver passar os aviões da TAP.

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A companhia aérea anunciou várias novas rotas este ano: Orlando nos EUA, onde passa a contar com 11 destinos; Curitiba e São Luiz no Brasil, num total de 15 destinos; Atenas na Grécia, Santa Maria nos Açores e Telavive em Israel, se a situação geopolítica o permitir. E novas rotas a partir do Porto para a Terceira nos Açores, Praia em Cabo Verde, Telavive em Israel e Boston nos EUA.

  • https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/tap-vai-receber-24-novos-avioes-nos-proximos-dois-anos/

A

 notícia de que a TAP, livre das amarras do plano de reestruturação de Bruxelas, vai injetar 24 novos aviões na sua frota até 2028 devia ser um sinal de esperança para todo o país. Não só da saturada Lisboa. O problema é que, para quem gere a companhia da capital, o país parece terminar onde começa o Atlântico. Anunciam-se com pompa e circunstância novas rotas para os EUA, Brasil, Atenas e até reforços no Porto, mas para a Madeira? Zero. O centralismo habitual, agora com asas novas?

Quem tem memória sabe que a TAP já garantiu ligações diretas da Madeira para várias capitais europeias (Londres, Frankfurt, Zurique). Mais recentemente, a última rota internacional direta que nos restou nem sequer olhava para a Europa, vinha de Caracas, tocava no aeroporto do Funchal e seguia para a capital. Hoje, nem isso. Cortou-se tudo sob o pretexto da "rentabilização" e da obsessão em alimentar o modelo de hub em Lisboa.

A justificação oficial para o fim das nossas ligações diretas à Europa sempre foi a mesma lengalenga, a concorrência feroz e a alegada falta de rentabilidade. Mas a pergunta que qualquer madeirense faz é óbvia, se não há mercado, como é que as low-costs e outras companhias estrangeiras operam dezenas de voos semanais diretos do Reino Unido, Alemanha, França ou Escandinávia para a Madeira? O que é competitividade para a TAP com aviões mais económicos? Bonzinho seria um subsídio como o malfadado que temos para subsidiar a companhia mas dirigido a estrangeiros? Então o Governo Regional enche a Madeira com pés descalços dando publicidade às low costs, a TAP não consegue algo similar?

O mercado existe, é resiliente e bate recordes de turistas ano após ano. A diferença é que as outras companhias entenderam o óbvio, quem viaja a turismo ou em negócios quer uma estratégia point-to-point (ponto a ponto). O passageiro europeu e, acima de tudo, o próprio madeirense, não quer perder horas e paciência a fazer escala numa Portela atascada, caótica e à beira da rutura. Lisboa tornou-se um inferno logístico. Sabendo perfeitamente desse estrangulamento na capital, por que razão a TAP recusa agarrar uma fatia deste mercado direto na Madeira, agora que tem e vai ter mais aviões novos e mais eficientes?

Se com o capital e a tutela pública, paga com o dinheiro de todos os contribuintes, incluindo nós, a TAP opta por ignorar as regiões ultraperiféricas na sua expansão estratégica, o cenário futuro é ainda mais cinzento. Estamos em pleno processo de privatização, com a Air France-KLM e a Lufthansa na corrida. Se o Estado português não acautelou as rotas regionais e o interesse estratégico das ilhas enquanto mandava na empresa, o que esperar quando o capital for integralmente estrangeiro?

A Madeira precisa de ligações que nos aproximem do mundo, não de ser apenas um satélite para encher voos de ligação em Lisboa. Com 24 novos aviões a caminho, a TAP já não tem a desculpa da falta de capacidade. Falta-lhe, sim, visão territorial e o respeito por quem vive no meio do Atlântico.

Não se preocupem, não ficarão com aviões presos por inoperacionalidade, agora quando a meteorologia prevê já nem levanta voo para o Funchal, o que agradeço porque é massacrante voltar para trás e porque já quando aterra dentro dos parâmetros já temos más experiências a mais. Elas têm vindo a crescer em número.

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