Uma cidade de pilaretes que rejeita a vida real.
L
evar um familiar dependente a uma consulta médica transformou-se num autêntico calvário urbano devido a uma mobilidade cruel no centro Funchal. Manobrar uma cadeira de rodas, conseguir um espaço mínimo para fazer sair o idoso do carro com segurança e, depois, a autêntica miragem que é encontrar um lugar para estacionar perto do destino. As clínicas, que deveriam ser locais de acolhimento e facilidade para quem está doente ou fragilizado, mas tornaram-se no epicentro de um autêntico inferno logístico. Sede no centro do Funchal é asneira com as políticas deste mandato da CMF.
Para quem se estão a planear a nossa cidade? Para as pessoas que cá vivem e envelhecem, ou apenas para o negócio e para o postal turístico? Assistimos, nos últimos tempos, a uma autêntica "plantação de vibradores", pilaretes por tudo quanto é sítio no Funchal, a mesma febre das lombas. O pretexto é de travar os abusadores do estacionamento selvagem, então optou-se pela punição coletiva. Se as multas doessem, isto não acontecia. O resultado está à vista de todos, uma floresta de obstáculos de ferro e plástico que ignora por completo as situações de urgência, as necessidades de emergência e o direito elementar à acessibilidade. Bloquear a cidade desta forma impede que um cuidador encoste o carro por dois minutos para descer um idoso em segurança porque as clinicas também não observaram esta necessidade.
O Funchal corre o risco de se transformar num mero resort a céu aberto, limpo e formatado para o olhar do visitante, mas profundamente hostil para os seus próprios munícipes. Uma cidade que se diz moderna e inclusiva não pode ostracizar a velhice nem ignorar o desgaste físico e mental dos cuidadores. É urgente que tanto a Câmara Municipal como os responsáveis pelas clínicas privadas coloquem a cabeça a funcionar para além do lucro e do ordenamento puramente punitivo. A gestão urbana tem de servir a vida real, e a vida real inclui a doença, a dependência e a velhice.
O que deveria ser um ato simples de saúde e dignidade transforma-se num pesadelo logístico.
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