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São Vicente, a terra onde a erva cresce, o lixo fica e as assessorias florescem.

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E

m São Vicente há um fenómeno botânico extraordinário: a erva cresce sem parar, o lixo reproduz-se sozinho, as águas continuam por resolver… mas as assessorias, essas, florescem como trepadeiras em dia de chuva.

Dizem os entendidos de café que, por cá, já não se pergunta “quem governa?”. Pergunta-se apenas: quem assina, quem recebe, quem aparece na fotografia e quem fica com o bolo da festa?

Há associações que crescem, há eventos que aparecem, há recibos que circulam, há contratos que engordam e há explicações que emagrecem. Tudo muito moderno, tudo muito “transparente”, tão transparente que ninguém consegue ver nada.

E quando se fala em valores - 50 mil euros aqui, 180 mil euros acolá, assessorias jurídicas, assessorias de recursos humanos, pareceres, eventos, som, luz, festas, carnaval, noite de mercado... despesismos... o cidadão comum fica com uma dúvida simples:

São Vicente é uma autarquia, ou uma agência de contratação permanente na alçada de R.T. e de F.C. Mii Mii?

Porque para cortar erva não há tempo. Para limpar lixo não há meios. Para resolver águas não há urgência. Mas para festas, palcos, luzes, consultorias e assessorias, parece haver sempre uma gaveta mágica, que derrama para os bolsos – Mii Mii.

Depois vêm as festas. Ah, as festas! Mii Mii...

Semana de São Vicente, Carnaval, Noite do Mercado, comes e bebes, fotografias, brindes, sorrisos e aquele perfume inconfundível a “está tudo tratado”. Uns trabalham, outros colhem as comissões. Uns carregam, outros brindam. Uns limpam no fim, outros limpam antes.

E no meio disto tudo nasce a pergunta que ninguém quer responder: Quem fiscaliza os fiscalizadores?

Porque quando há gente com um pé no gabinete, outro nas associações, outro nos eventos, outro nas empresas, outro nas festas e ainda outro nas decisões, já não estamos perante gestão pública. Estamos perante uma espécie de polvo administrativo com demasiados tentáculos e pouca vergonha institucional.

E enquanto os protagonistas bebem gin, riem-se, lavam as roupas do AL de borla na lavandaria de Boaventura, fazem contas e brindam à próxima adjudicação, com o dinheiro no bolso, São Vicente continua igual, o lixo por apanhar, a erva por cortar, as águas por resolver, as ruas por cuidar, e o povo a pagar.

No fim, talvez não seja preciso uma grande investigação para perceber o essencial. Basta olhar à volta quando uma terra está abandonada, mas há sempre dinheiro para assessorias e eventos, alguma coisa está muito mal explicada.

São Vicente merece menos espectáculo, menos compadrio, menos gabinetes paralelos e mais contas claras.

Porque o povo pode até rir da palhaçada.

Mas já não quer continuar a pagar o circo.

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