09/07/2026, 17:15:52 Será que são mesmo todos iguais?
Por isso evocar a figura de Salazar não significa, necessariamente, ter saudades da ditadura. Para muitos, representa a nostalgia de um tempo em que Portugal era visto como uma nação mais disciplinada, mais coesa e mais fiel aos valores que moldaram os seus mais de 900 anos de História. Na perspetiva desses críticos, a democracia, tal como tem sido praticada nas últimas décadas, não conseguiu preservar esse legado nem responder aos desafios do país. Talvez uma das maiores batalhas dos nossos dias seja devolver a credibilidade à política e restaurar a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas. O descrédito atingiu um nível tão profundo que a frase "são todos iguais" se tornou uma espécie de sentença coletiva sobre aqueles que escolhem a vida pública. Quando a política recuperar a sua vocação de serviço público, quando os eleitores voltarem a reconhecer nos seus representantes valores como a seriedade, a honestidade e a verdade, então talvez possamos começar a desfazer a ideia de que "são todos iguais".
10/07/2026, 10:33:16
Havia, em "Lisbólia", uma deputada sempre irrepreensivelmente arranjada. Nunca lhe faltava uma fatiota nova, um sorriso ensaiado ou uma pose cuidadosamente estudada para as fotografias. O problema era outro: enquanto os colegas gastavam horas a estudar dossiers, a reunir com pessoas e a lutar pela sua terra, ela passava o tempo à procura de alguém para criticar. Descobrira que apontar o dedo dava muito menos trabalho do que arregaçar as mangas. E, como não tinha obra para mostrar, fez da denúncia de quem trabalhava a sua principal ocupação. O mais curioso era que os seus ataques nunca tinham por alvo quem nada fazia. Pelo contrário: escolhia sempre aqueles que mais incomodavam pela ação, porque sabia que, se conseguisse lançar uma sombra sobre quem produzia resultados, talvez ninguém reparasse no enorme vazio deixado pela sua própria inércia. Era uma estratégia simples: quanto mais um colega trabalhava, mais ela apontava o dedo; quanto mais uma causa avançava, mais ela inventava razões para a desvalorizar. Afinal, é mais fácil tentar diminuir os outros do que explicar por que motivo nunca se saiu do mesmo lugar. No fundo, porém, vivia prisioneira do silêncio. Não concordava com muita coisa feita pelo patrão da sua terra, receava que os problemas dele um dia lhe caíssem em cima, mas nunca encontrava coragem para o enfrentar. Quando chegava a hora de falar, baixava a cabeça, sorria e acenava em sinal de concordância, como quem espera apenas que a tempestade passe sem lhe desalinhar o cabelo. E assim seguia, impecavelmente vestida, irrepreensivelmente calada e extraordinariamente empenhada... em apontar o dedo a quem tinha a ousadia de trabalhar.
10/07/2026, 13:42:48
Alguém avisa ao Bruno Melim que não tem estatura política para acusar ninguém? É tão só um tachista e câmara de eco a zelar pelo seu futuro e de mais ninguém!
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