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A sintonizar estações...

Votos misturados, ponchas agitadas e a República em curto-circuito.

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Há dias em que entrar num café da Madeira depois das eleições presidenciais de 18 de Janeiro de 2026 devia dar direito a capacete, colete reflector e manual de instruções da democracia. O que se ouve não é opinião política: é ginástica mental olímpica. Pessoas juram, com ar sério e sobrancelha franzida, que votaram em André Ventura para “expulsar Miguel Albuquerque do Governo Regional”. E dizem-no com a convicção de quem pede uma poncha de caju com feijoada, guaraná e açaí… tudo no mesmo copo.

Convém parar a música, pousar o copo e respirar fundo. André Ventura era candidato a Presidente da República. Não era candidato a Presidente do Governo Regional da Madeira. Nunca foi. Nunca será. São cargos diferentes, eleições diferentes, boletins diferentes e, pasme-se, funções completamente diferentes. Uma coisa é o Chefe de Estado de todo o país; outra é o líder do executivo autónomo da Região. Confundir isto não é opinião, é desorientação com gelo e hortelã.

O mais fascinante é o paradoxo, quando houve Eleições Legislativas Regionais, a 26 de Maio de 2024, essas sim, próprias para mudar o Governo Regional, muitos dos agora indignados decidiram… não mudar nada. Aí, curiosamente, a memória falhou, o braço não esticou e a cruz ficou tímida. Mas depois, nas Presidenciais, zás: voto mágico para “resolver a Madeira”. É a política como vodu: espeta-se um alfinete em Lisboa à espera que doa no Funchal.

Agora aproxima-se a segunda volta, a 8 de Fevereiro. Convém repetir, devagarinho, como quem explica ao Bobby (o cão): António José Seguro e André Ventura são candidatos a Presidente da República. Nenhum deles é candidato a Presidente do Governo Regional da Madeira. Nenhum. Zero. Nicles. Miguel Albuquerque, goste-se ou não, continuará no cargo até ao fim do mandato. Não é uma opinião, é um facto constitucional, desses chatos que não mudam com gritos no café.

O resto é folclore, figos de cacho da Noruega, teorias tropicais, o Bobby prestes a liderar o PAN e a democracia tratada como menu de snack-bar. Ufa. Talvez seja altura de beber menos confusão, ler um bocadinho mais e perceber, finalmente, em que cargo se está a votar. Caso contrário, ainda acabamos a eleger o Presidente da Junta para Papa, e a reclamar que Roma não fica no Curral das Freiras.

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