Habituaram-se na fanfarronice das notícias.
D epois das violentas tempestades que atingiram a Madeira, em particular a tempestade Cláudia, o vale da Ribeira Brava ficou irreconhecível. As plantações de banana, sustento de tantas famílias e pilar da agricultura local, foram simplesmente arrasadas. Troncos no chão, folhas destruídas, anos de trabalho reduzidos a nada em poucas horas.
Perante este cenário devastador, esperava-se ação, solidariedade institucional e respostas rápidas por parte de quem tutela a agricultura. No entanto, o que se viu foi um silêncio ensurdecedor e uma inércia difícil de compreender, sobretudo quando o próprio senhor secretário regional da Agricultura passa diariamente por estas zonas a caminho do Funchal. O drama estava ali, à vista de todos, à beira da estrada. Bastava olhar.
É certo que foram enviados técnicos ao terreno. Contaram as plantas que ficaram de pé, registaram prejuízos, tiraram notas. Mas para quê? Apenas para estatística. Os agricultores continuam sem receber um cêntimo de apoio, sem ajuda para a replantação, pelo menos um subsídios para o adubo ou qualquer medida concreta que lhes permita reerguer a produção. Contar estragos não é governar. Fazer relatórios não é apoiar.
A tempestade Cláudia não foi apenas mais um fenómeno meteorológico. Foi um golpe profundo numa economia agrícola já frágil, numa região onde a banana não é luxo, é sobrevivência. Ignorar isto é tratar os agricultores como números e não como pessoas.
A agricultura não se protege com discursos nem com visitas pomposas e ocasionais. Protege-se com decisões, com apoios financeiros atempados, com medidas excecionais em momentos excecionais. Quando nada disso acontece, a mensagem que passa é clara: quem trabalha a terra está por sua conta.
A Ribeira Brava não precisa de estatísticas. Precisa de ajuda. Precisa de respeito. E precisa, sobretudo, de responsáveis políticos que não passem apenas pela estrada, mas que parem, olhem e atuem. Não digam depois que não entendem porque se votou tanto no Ventura neste concelho. São por essas e por outras...
