Quando deixa de ser elástico e começamos a pagar?


Qualquer dia a Via Rápida será como os trilhos e as levadas?
Marcar e pagar para andar?

O utra questão crítica para o ordenamento do território na Madeira, por causa do excesso de turismo, especialmente perante os dados recentes. De acordo com a notícia, a Via Rápida já regista uma média diária de quase 40 mil carros (39.639 em 2025), com um crescimento de 5,2% num único ano.

Dada a orografia da ilha, pergunta-se se a "elasticidade" das vias não é infinita? O ponto de rutura aproxima-se devido a vários fatores depois de vermos o reforço de pilares:

A Via Rápida (VR1) foi desenhada, na sua maioria, com duas faixas em cada sentido. Em engenharia de tráfego, o "Nível de Serviço" começa a degradar-se seriamente quando o tráfego médio diário ultrapassa os 35.000 a 45.000 veículos em vias suburbanas. Com 40 mil carros, já estamos no limiar onde qualquer pequeno incidente (uma avaria ou chuva) causa o colapso total do fluxo.

Ao contrário de Portugal Continental, na Madeira a solução de "acrescentar uma faixa" é quase impossível ou incomportavelmente cara por razões evidentes e à vista de todos. Grande parte da VR1 é composta por obras de arte. Alargar um túnel ou duplicar uma ponte exige investimentos colossais e anos de interrupções de tráfego.

A construção em zonas de declive acentuado impede o alargamento lateral sem pôr em causa a estabilidade geológica das habitações acima ou abaixo da via.

Se o ritmo de crescimento de 5% ao ano se mantiver, em menos de 5 a 7 anos (por volta de 2031-2033), a Via Rápida atingirá números próximos dos 55 mil a 60 mil carros/dia. Nesse cenário, as horas de ponta passarão a ser contínuas durante grande parte do dia. As vias de aceleração (se existirem) e saída (nós de ligação) deixarão de conseguir escoar o tráfego, provocando filas que retrocedem para dentro da via principal.

Albuquerque, continuas com campos de golfe ou vais enfrentar o problema? Calculo que seja mais obras para satisfação de todos em vez de menos turismo. Para evitar que a ilha "encrave", o governo regional terá de parar de olhar apenas para o betão e focar-se em soluções que não ocupem espaço físico. Transportes públicos eficazes! Sem uma alternativa real e rápida (faixas BUS exclusivas onde for possível ou o eterno debate do Metro Ligeiro/BRT), as pessoas não largarão o carro. O uso de transportes coletivos escolares e de empresas para retirar carros individuais da estrada nas horas críticas, acabar com algo impressionante, a procissão de carros para levar e recolher alunos nas escolas.

Enquanto o Funchal concentrar a maioria dos serviços e empregos, o movimento pendular continuará a asfixiar a VR1. Então com a Capital Resort...

A "elasticidade" já está no limite. Se a governação continuar a facilitar a entrada de mais carros sem criar alternativas de transporte de massa, a Via Rápida passará a ser, em breve, o maior "parque de estacionamento" da Madeira, sem hipótese física de expansão.

Obrigado, oura vez, Eduardo Jesus, sai uma propaganda no Diário de Notícias.