Crítica à Ministra da Saúde e ao rumo do SNS


Q uero agradecer à Senhora Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, membro do XXIV Governo de Portugal desde 2 de abril de 2024 e do XXV Governo Constitucional desde 5 de junho de 2025. Este agradecimento é irónico e nasce da profunda preocupação com o estado atual do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Ana Paula Martins é, sem dúvida, uma das ministras mais incompetentes que já passou pelo Ministério da Saúde. O país assiste a mortes sucessivas, falhas graves no atendimento e a desastres repetidos. Há cada vez mais partos em ambulâncias, devido ao fecho de serviços hospitalares e à falta de resposta organizada. O cidadão comum vive hoje uma verdadeira lotaria da saúde: nunca sabe que hospital está aberto, quanto tempo vai esperar, nem se será atendido a tempo.

O SNS, que foi durante décadas um orgulho nacional, está a ser destruído e desmantelado. Serviços públicos fecham, profissionais saem e o espaço deixado é ocupado por privados. O caminho parece claro: a privatização progressiva da saúde, em prejuízo da maioria da população.

Esta visão não é nova. Aníbal Cavaco Silva, Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995, sempre foi crítico do SNS. O seu partido, o PPD/PSD, votou contra a criação do Serviço Nacional de Saúde em 1979, juntamente com o CDS. A Lei n.º 56/79 foi aprovada com os votos do PS e do PCP, tendo António Arnaut como principal impulsionador. O SNS nasceu para ser universal, geral e tendencialmente gratuito, tratando todos os cidadãos por igual, sem olhar à carteira.

Hoje, essa herança é posta em causa. O atual Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, líder do XXIV e do XXV Governos Constitucionais, elogia publicamente a Ministra da Saúde. No entanto, quando era líder da oposição, exigiu a demissão de ministros da saúde de governos anteriores por situações bem menos graves.

Entre 2015 e 2024, durante os governos de António Costa, passaram pelo Ministério da Saúde Adalberto Campos Fernandes, Marta Temido e Manuel Pizarro. Nessa altura, qualquer falha era motivo para pedidos de demissão imediatos. Agora, perante um caos maior, reina o silêncio e a proteção política.

A pergunta mantém-se: quem assume a responsabilidade pelo desastre atual do SNS? Diretores, hospitais, técnicos? Nunca a Ministra. Nunca o Governo. O resultado está à vista e quem paga é o povo português.

Ana Paula Martins, obrigada pelo estado a que chegou a saúde em Portugal.