O campeão mundial de futebol de 2026, antecipado, é Donald Trump que ficou com o troféu. O prémio Nobel da paz será de Donald Trump se Corina Machado se continuar a queima com ele. A Venezuela saiu de uma ditadura para ser colónia? Detesto chavismo e o Maduro, mas como li há dias isto é sair do "cu para se meter no sesso". Este inarrável Donald Trump usa o poder dos EUA em seu benefício, é hora de começar a dizer não para as Instituições Americanas começarem a fazer a sua parte.
A notícia...
H á políticos que não constroem símbolos ou futuro, apropriam-se deles. Donald Trump parece querer se inscrever exatamente nessa categoria ao insinuar que seria “uma honra” receber de Maria Corina Machado a medalha do Prémio Nobel da Paz. O problema não é apenas o desplante simbólico, é o percurso que o antecede. O prazer é só para lhe ficar com a distinção.
Corina Machado foi politicamente queimada no momento em que mais precisava de respaldo inequívoco. O entendimento tácito com o regime venezuelano, vendido como pragmatismo diplomático, deixou a líder da oposição isolada, fragilizada e exposta. O resultado foi previsível, perdeu margem de manobra, perdeu centralidade e perdeu, sobretudo, a proteção política que Washington poderia ter garantido sem ambiguidades. Se for para lá é para perder mais, mas a senhora está iludida.
Agora, quando o custo dessa operação já foi pago por ela, Trump surge a reclamar a parte mais vistosa, a medalha (isto parece mania dos governantes de agora), o símbolo, a fotografia para a história. É o gesto clássico de quem primeiro esvazia o valor político de alguém e depois tenta resgatar o capital simbólico que sobra. Não é solidariedade. É reciclagem. A senhora vai cai no jogo do poderoso? É que o regime está atado, mas ela não.
O Nobel da Paz, independentemente das controvérsias que sempre o acompanham, representa uma trajetória de resistência pessoal e política. Não é um troféu transmissível, nem um adereço de campanha internacional. Ao insinuar que lhe seria “entregue”, Trump transforma o prémio numa moeda de troca e Corina Machado numa figurante de um enredo que já não controla. Ainda fica sem tudo, será que passa pela cabeça da senhora oferecer a "medalha" e ficar sem nada? Pela Venezuela colonia dos EUA, com o regime ou com ela?
Este episódio diz menos sobre a Venezuela e mais sobre uma certa forma de fazer política global, usa-se a oposição enquanto ela serve, descarta-se quando incomoda, e apropria-se do seu mérito quando convém. O homem que fica com o que é dos outros raramente aparece no momento do sacrifício, surge apenas na hora da consagração.
E isso, mais do que indigno, é revelador.
