O exorcismo.


P aula Margarido foi promovida a palheirinho do PSD com uma naturalidade desconcertante. Encaixe perfeito: pouco ruído, muita obediência e zero margem para pensamento próprio. Serve para encher espaço, repetir a cartilha e confirmar que, naquele alinhamento, pensar não é requisito, alinhar é.

O problema é que desta vez a coreografia falhou. Porque apareceu Rubina Leal. E Rubina não pede licença, não fala em diminutivos nem faz política de chá e bolachas. Quando Paula Margarido saiu da linha, foi posta no lugar com clareza, autoridade e timing. Sem gritos, sem espetáculo. Liderança pura.

É aqui que a diferença se torna evidente. Há mulheres na política que estão lá para decorar o cenário. E há mulheres que comandam. Rubina Leal pertence claramente ao segundo grupo. Mostrou que autoridade não precisa de testosterona nem de histeria, precisa de posição, firmeza e noção clara de quem manda.

Num PSD habituado a palheirinhos obedientes e vozes afinadas por terceiros, Rubina Leal foi um lembrete incómodo: liderança não se improvisa e não se herda. Exerce-se. E quando se exerce bem, até quem foi posto ali para cumprir ordens percebe rapidamente onde é o seu lugar.

Mais Rubinas. Menos palha. O partido — e a política regional — agradecem.

O episódio recente deixou isso claro. Bastou sair um centímetro da linha para Rubina Leal intervir — e interveio como deve ser feito. Sem espalhafato, sem dramatização, sem condescendência. Autoridade firme, discurso direto, hierarquia clara. Foi um momento raro na política regional: alguém a comandar sem precisar de pedir desculpa por isso.

Rubina Leal mostrou algo essencial e cada vez mais escasso na Madeira: liderança adulta. Daquela que não precisa de aplauso imediato nem de aprovação do costume. Rubina está lá para mandar. E manda porque sabe, porque estudou o terreno e porque não confunde cargo com decoração.

Num contexto político cansado, viciado na gestão do pequeno poder e na política da sobrevivência, Rubina representa outra coisa, direção. Visão. Capacidade de dizer “não” dentro de um partido que se habituou a palheirinhos obedientes e a líderes de curto alcance.

A Madeira precisa exatamente disso. De alguém que pegue no leme com firmeza e leve a região para um porto melhor do que este em que estamos encalhados, um porto de oportunidades reais, de transparência, de ambição séria e não de propaganda requentada. Um porto onde governar não seja controlar, mas orientar.

Rubina Leal já mostrou que sabe comandar pessoas. O próximo passo é maior, comandar rumo. Se avançar, que avance sem medo. A Madeira precisa menos de figurantes e mais de capitãs. E isso, claramente, ela sabe ser. Pense nisso Rubina Leal. Conduzir a Madeira a bom porto.