A proximam-se as Presidenciais de 2026, num cenário de profunda fragmentação à Esquerda que, segundo vários analistas e sondagens, acaba por pavimentar o caminho para a consolidação da Direita. As sondagens mais recentes (final de 2025/início de 2026) mostram que, enquanto a direita se aglutina em torno de figuras como Luís Marques Mendes ou André Ventura, a esquerda apresenta-se pulverizada. Com vários candidatos do mesmo espectro (Catarina Martins pelo BE, António Filipe pelo PCP, Jorge Pinto pelo Livre), o voto útil torna-se difícil de concretizar logo na primeira volta. A Direita não está diferente mas os seus candidatos estão todos na primeira parte da tabela.
Os analistas apontam que a Esquerda tem tido dificuldade em impor uma agenda nacional, perdendo-se em "causas de nicho" ou temas internacionais, o que permite à Direita domine o debate sobre economia, segurança e imigração.
António José Seguro surge nesta corrida como um candidato com potencial para furar a bolha da esquerda tradicional e captar votos ao centro. O facto de ter estado afastado da política ativa permite-lhe apresentar-se como alguém "fora do sistema" atual e das polémicas recentes do PS, atraindo o eleitorado moderado que sente falta de uma postura mais institucional e menos ruidosa.
Em cenários de segunda volta, Seguro é frequentemente o candidato da área da esquerda/centro-esquerda que melhor disputa o lugar contra Marques Mendes ou Ventura, precisamente por não ser visto como um "radical".
Existe uma crítica crescente de que a Esquerda parlamentar parece mais focada em sinalizar virtudes sobre conflitos externos do que em apresentar uma alternativa de poder robusta em Portugal.
Bloco de Esquerda e Gaza, o BE gasta muito capital político em temas como a Palestina. O argumento é que, ao não focar nas dificuldades imediatas da classe média portuguesa, o partido deixa o campo aberto para a direita. O PCP e as ligações históricas está na ambivalência ou o foco do PCP em questões relacionadas com a Rússia (Ucrânia) ou a defesa de regimes como os de Cuba e Venezuela, frequentemente usadas pelos seus opositores para os pintar como anacrónicos. Nas recentes intervenções de António Filipe, esta "colagem" a Putin é um dos temas mais explorados para o descredibilizar perante o eleitorado mais jovem ou europeísta.
Quem tem esta esquerda é um pitéu para Ventura, um amargo de boca para Seguro, porque tem a maior margem de progressão com o voto útil. Acordem Esquerda, senão derrapam para o fosso.
Na Madeira pouco se ouve... Onde anda a nova Presidente?

