Ui, as novas vítimas do desgoverno.


Governar em desacerto preparando as culpas.

Nunca se esqueçam que ele vai continuar a "atafulhar" a Madeira em overtourism, ainda não parou. Já estou a ver os culpados pela falta de respostas...

A notícia apresenta o programa UPGRADE como uma iniciativa “abrangente”, técnica e cooperativa, mas há um movimento político claro de transferência de responsabilidade que as câmaras municipais fariam bem em encarar com prudência.

À primeira vista, Eduardo Jesus surge como o protagonista que vai “ouvir” e “envolver” as autarquias. No entanto, uma leitura mais atenta mostra que o Governo Regional define o diagnóstico, fixa os critérios e produz os relatórios, enquanto às câmaras cabe executar, fiscalizar e gerir no terreno, sobretudo em matérias sensíveis como o Alojamento Local, ordenamento e pressão turística.

Ou seja:

  • O Governo centraliza a estratégia;
  • As autarquias assumem a aplicação concreta;

E, quando surgirem conflitos com residentes, saturação urbana ou desgaste político, o ónus recairá sobre os municípios.

A insistência na ideia de que o licenciamento e fiscalização do AL são “responsabilidade das autarquias”, acompanhada da promessa de relatórios técnicos regionais, cria uma assimetria conveniente:

  • o Governo fornece dados e orientações, mas lava as mãos das consequências práticas.

Além disso, o discurso da “qualidade de vida dos residentes” funciona como escudo retórico. Se algo correr mal, será fácil argumentar que:

  • as câmaras não souberam usar a informação;
  • não tomaram decisões “ajustadas ao território”;
  • ou falharam na gestão local.

Daí a necessidade das câmaras terem um pé atrás. Participar no UPGRADE sem garantias claras de corresponsabilização política e financeira é aceitar, tacitamente, o papel de bode expiatório de um modelo turístico que o Governo ajudou a criar e alimentar.

Eduardo Jesus apresenta-se como facilitador e estratega, mas deixa bem montado o palco para que, em caso de desgoverno ou desgaste social, a fatura política seja passada às autarquias.

E, sim, pelo historial e pelo desenho da iniciativa, é menino para isso.