O GR não tem força para se impor ao Governo da República


O Subsídio Social de Mobilidade e as alterações da nova portaria com a APP, chegamos à conclusão que Eduardo Jesus/GR não acompanharam as decisões do Governo da República, não tiveram direito à palavra e foram postos de parte do processo. O que acaba sendo uma sorte para agora reclamar ao Ministro. Há males que vêm por bem, mas mostra que afinal todas as crises judiciais e acusações fizeram mossa. O Governo Regional vive da imagem dos jornais que "comprou", mas não faz fé no continente, nem com os do seu partido. Torna-se claro que Eduardo Jesus e o Governo Regional (GR) não acompanharam o desenho das decisões finais, sendo remetidos para um papel de meros espectadores num processo que lhes diz diretamente respeito. Esta exclusão, ao não terem tido direito à palavra nas negociações técnicas de última hora, demonstra que o canal de diálogo entre Lisboa e o Funchal está mais obstruído do que a retórica oficial faz transparecer.

Como já disse e, paradoxalmente, este afastamento forçado acabou por se tornar uma "sorte" política conveniente para o Governo Regional. Ao ser posto de parte, o executivo de Miguel Albuquerque e Eduardo Jesus ganha agora o palanque perfeito para reclamar junto do Ministro das Infraestruturas, sacudindo qualquer responsabilidade pelas falhas ou pela burocracia excessiva do novo sistema. É o clássico caso em que há males que vêm por bem: a falta de influência no processo transforma-se, aos olhos da opinião pública, numa oportunidade de ouro para o GR se posicionar como o defensor dos interesses dos residentes contra as "imposições" de Lisboa. Imagine-se, de acordo com a oposição. Que ironia. Que fuga para a frente. Que sorte no meio de tanto desmazelo. Há quantos anos rende esta incompetência de Eduardo Jesus?

A aura de invencibilidade do GR desvaneceu-se nos corredores do poder central, deixando o executivo regional numa posição de fragilidade que a narrativa política tenta agora camuflar. Volto a dizer, o Governo Regional sobrevive, em grande medida, da manutenção de uma realidade paralela alimentada pelos jornais que "comprou" ou que controla através de favores e publicidade. Enquanto os títulos locais tentam pintar uma imagem de combatividade e controlo, a realidade técnica e política mostra um governo deixado à margem, a reboque de decisões que não domina.

A distância entre a propaganda mediática nas ilhas e a influência real em São Bento nunca foi tão evidente como neste novo capítulo da mobilidade aérea.