Anda, deixa correr, vai beber poncha e continua inerte.
- Governo aprova construção de hotel no Funchal. O Governo Regional dá luz verde para a construção de hotel na esquina da Rua do Carmo com a Rua do Ribeirinho, no Funchal. (link)
- O edifício na Rua João Tavira onde funcionaram os bancos Banif (...) renda mensal de 30 mil euros, passível de ser revista a partir do quinto ano de contrato. O novo inquilino é a FLH – Feels Like Home, uma empresa composta por quatro sócios oriundos do continente e que já têm negócios nos setores hoteleiro e do Alojamento Local. (...) Só na Região Autónoma da Madeira explora cerca de 180 AL. (link)
A acelerada transformação do Funchal e da Madeira num resort turístico global não é apenas um chavão, está a ter efeitos concretos e profundos na vida dos habitantes locais e de uma forma muito acelerada. Os números oficiais mostram um crescimento contínuo do turismo, com milhões de dormidas por ano e uma fatia significativa atribuída ao alojamento local (AL), que tem crescido bem acima da média da hotelaria tradicional. Isto significa que cada vez mais apartamentos e casas que poderiam ser residências para madeirenses estão a ser convertidos em unidades turísticas, porque os proprietários obtêm rendimentos mais elevados com alugueres de curta duração. Este fenómeno é tão relevante que a Câmara do Funchal chegou a suspender temporariamente novas licenças de AL para tentar conter a pressão sobre o mercado habitacional. Sobretudo pela "barraca" de uma cooperativa estar a construir apartamentos para Alojamento Local.
Esta realidade turística tem um efeito dominó no custo de vida e na acessibilidade à habitação. Há relatos constantes de casas que se tornam inacessíveis financeiramente para quem vive e trabalha na ilha, especialmente jovens, famílias e trabalhadores com salários médios ou baixos, muitos dos quais dependem do setor turístico para o seu sustento, mas cujos vencimentos não conseguem acompanhar o aumento do custo de vida ou das rendas. Caricato, trabalham contra si mesmos! O resultado é que uma parte significativa dos madeirenses é empurrada para fora dos centros urbanos, ou mesmo fora da ilha, em busca de habitação mais acessível, enquanto bairros antes residenciais transformam-se em zonas dominadas por visitantes.
O impacto social vai além da habitação. Estudos e observadores locais (quase nunca ouvidos pela comunicação social) apontam também para um aumento do custo de vida em geral, mobilidade mais complicada e perda de coesão comunitária, mais tempo gasto em deslocações e "surpresas" na condução, ruas cheias de turistas em vez de vizinhos, e a sensação crescente de que a ilha está a adaptar-se mais às necessidades dos visitantes do que dos seus próprios cidadãos. Em bairros como o centro do Funchal, residentes relatam que “a cidade foi entregue aos turistas”, com bairros a perderem a sua identidade histórica e social, e os madeirenses a serem forçados a viver mais longe do trabalho ou da família devido a rendas e preços impossíveis. Agora até para andarem na sua terra têm de se registar como que para reduzir os madeirenses para dar aos visitantes, na linha do que se passa com o aumento da água.
Este modelo de desenvolvimento, baseado na expansão sem controle de turismo e alojamento de curta duração, potencialmente corrói a qualidade de vida dos madeirenses, criando uma economia que depende cada vez mais de visitantes e menos da vitalidade das comunidades locais. A não ser que haja políticas firmes de regulação do terreno, do mercado de habitação e de prioridades urbanísticas, o risco é de que a Madeira seja percebida não como uma terra para os seus habitantes, mas essencialmente como um produto turístico, com todos os custos sociais e culturais que isso acarreta, descaraterizada daqui que se vendeu ao turismo.
O PSD Madeira e o Governo Regional perceberam, quando ganharam as Legislativas Regionais, que uma parte do povo da Madeira está capturado por interesses e ligações, mesmo com elementos do governo, entourage e Presidente com acusações, normalizaram tudo com a vitória nas Regionais. Os madeirenses que não votam no PSD e os que votam têm a sua Madeira a desaparecer, uns nada tem, outros acham que vão ter.
Tem toda a lógica passarmos para metade da população daqui a uns anos. Tenho que voltar a provocar:
