N os últimos tempos tem-se tornado cada vez mais comum ver pessoas a andar ladeadas com as trotinetes elétricas dentro de centros comerciais, e até no interior das próprias lojas. É uma situação que merece reflexão.
É evidente que o ambiente social mudou depois da pandemia de Covid-19, graças ao turismo (hotelaria) e à constrição. As dinâmicas urbanas alteraram-se, surgiram novos hábitos de mobilidade e a Madeira recebeu também muitos estrangeiros, que trazem consigo outras experiências, outros receios em relação à segurança dos bens pessoais e outras tendências de comportamento. Tudo isso é compreensível e faz parte de uma sociedade aberta e em transformação, apesar das minhas reticências
No entanto, isso não pode servir de justificação para tudo. A presença de trotinetes dentro de centros comerciais e lojas é, na prática, incomportável. Cria desconforto, levanta questões de segurança, prejudica a circulação de pessoas e descaracteriza espaços que são, antes de mais, locais de convivência, comércio e lazer, não extensões da via pública. Com algumas lojas a abarrotar, de gente e mercadoria, é caricato presenciar a esta cena. É um drive-in?
Tal como ninguém entra num centro comercial com um automóvel (só porque não podem), também não faz sentido normalizar a entrada de trotinetes. A solução não passa por conflitos entre utilizadores, mas sim por organização. Cabe aos centros comerciais criarem estruturas adequadas no parque de estacionamento para salvaguardar as trotinetes, à semelhança do que já acontece com os carros e, em muitos casos, com as bicicletas.
Adaptar-se aos novos tempos não significa abdicar de regras básicas de convivência. Mobilidade moderna e respeito pelo espaço comum têm de caminhar juntos.
De um cidadão que presenciou vezes de mais e não tolera já. Estão a normalizar a atitude de levar trotinetas para dentro dos centros comerciais e lojas. Observei no Madeira Shopping pela terceira vez. No Forum vi uma vez.
