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| Meramente ilustrativo, Albuquerque nasceu a 4-5-1961. |
M iguel Albuquerque lembrou-nos que tem 65 anos e que não pretende ficar para sempre no cargo. A frase soa quase heroica, como quem diz: “tranquilos, não sou imortal”. Fica o agradecimento pela honestidade metafísica.
O problema não é ter 65 anos. O problema é governar como se tivesse apenas 3 ideias. todas antigas, recicladas e usadas até à exaustão. A idade aqui não pesa no corpo; pesa na visão. E essa, convenhamos, já anda curta de alcance há algum tempo.
Quando um líder precisa de anunciar que um dia vai sair, normalmente é porque já devia ter saído. É o equivalente político ao “estou só mais um bocadinho, até chegar à reforma” dito por quem ocupa o sofá há horas e não larga o comando. Não é permanência estratégica, é apego.
A Região mudou, o mundo acelerou, os problemas sofisticaram-se. Mas o discurso continua previsível, o poder confortável e a governação em modo piloto automático. Não é liderança; é inércia com gabinete.
Sessenta e cinco anos e ainda num cargo de poder não pedem aplauso. Pedem lucidez para perceber que o fôlego já não acompanha a exigência. Governação não é prova de endurance, nem concurso de quem aguenta mais tempo em pé. É capacidade de renovar, abrir espaço, preparar sucessão, tudo aquilo que custa quando se confunde o cargo com identidade pessoal.
Dizer que não se quer ficar “para sempre” é pouco ambicioso. A democracia não precisa de líderes que saibam quando morrem politicamente; precisa de líderes que saibam quando saem vivos. Com dignidade. E com noção.
A idade não expulsa ninguém. Mas o desgaste, a repetição e o medo de largar o poder fazem o trabalho sozinhos. E aí, já não é uma questão de anos, é de teimosia histórica.
A Madeira não precisa de alguém que resista ao tempo. Precisa de alguém que não esteja a atrasá-lo.
