Este governo quer matar a agricultura para ter terrenos para obras.
N ão tem qualquer interesse para o madeirense o turismo massivo e os "magnatas das lavagens" a comprar casas, muito menos campos de golfe para regar, para nós é suficiente um campo de futebol. Sobem o custo de vida, sobem o custo das casas, os vencimentos continuam baixos, afastam-nos da nossa terra, da serra ao mar e à capital, enchem as vias e os estacionamentos com carros de aluguer, estou FARTO!
Os preços da água e dos resíduos voltam a subir na Madeira e o discurso oficial repete-se, custos, sustentabilidade, investimento. Mas há uma contradição difícil de ignorar, quem paga mais não é quem mais pressiona o sistema.
Enquanto os particulares veem a fatura da água aumentar ano após ano, continuam a surgir novos campos de golfe, equipamentos altamente consumidores de água, muitos deles associados a empreendimentos turísticos de luxo. A pergunta impõe-se, como se justifica pedir contenção aos cidadãos quando se aposta num modelo económico intensivo em recursos escassos? A água não é um bem qualquer; é um bem essencial, ainda mais numa região insular com limitações naturais evidentes.
O mesmo raciocínio aplica-se aos resíduos. O aumento de preços é apresentado como inevitável, mas raramente se diz com clareza que o turismo massivo é hoje um dos principais fatores de pressão sobre o sistema de recolha e tratamento de lixo. Mais turistas significam mais resíduos, mais custos operacionais, mais necessidade de investimento. No entanto, a fatura é socializada, recaindo sobretudo sobre os residentes, que não viram os seus rendimentos crescer na mesma proporção.
E aqui está o ponto central, o madeirense comum não está a beneficiar deste modelo turístico! ZERO!!! Os salários na hotelaria e restauração continuam baixos, muitas vezes precários, com horários extensos e fraca progressão. O custo de vida sobe, água, resíduos, habitação, mas os vencimentos não acompanham. O turismo cresce, os números batem recordes, mas os ganhos concentram-se, enquanto os custos se distribuem. A ilha é só hotéis e AL's, o Funchal já é um resort.
Estamos perante um modelo onde os recursos públicos são pressionados, os serviços essenciais encarecem, e os residentes pagam para sustentar uma economia que pouco lhes devolve. Sempre os mesmos a ganhar dinheiro, a escravizar os madeirenses e a por a fatura para pagar, tal como as dívidas. E vão infraestruturar campos de golfe para promoção imobiliária.
Uma política pública coerente exigiria diferenciação tarifária real, responsabilização dos grandes consumidores e uma reflexão séria sobre os limites do crescimento turístico. Caso contrário, o discurso da sustentabilidade não passa de retórica, e a sensação de injustiça social continuará a aumentar.
Adivinhem que partido está sempre a ganhar! Quem não tem nada a perder quer ver estes lordes do erário público a cair!
