Insustentabilidade evidente
T alvez seja pedir demasiado, mas fica a sugestão ao Governo Regional da Madeira e às ETAR que, manifestamente, não funcionam como deviam: quando forem fazer descargas no mar, avisem a população. Nada de extraordinário. Um simples comunicado. Um horário. Uma nota de rodapé, se preferirem. Algo do género:
“Entre as 10h00 e as 14h00, evitem banhos. O mar estará temporariamente em modo esgoto.”
Assim, quem ainda gosta de dar um mergulho em paz pode organizar a agenda: muda de praia, muda de dia ou, no mínimo, não sai da água a disputar espaço com dejetos humanos, lembranças dos malditos turistas… e dos nossos também, sejamos justos.
Porque o problema já nem é ambiental — é quase logístico. O cidadão só quer saber a que horas pode entrar no mar sem sair a cheirar a estação de tratamento falhada. Planeamento básico. Gestão moderna. Serviço público, chamemos-lhe assim.
Falamos tanto de turismo de excelência, de destino premium, de mar cristalino… e depois oferecemos banhos surpresa em águas que parecem ter passado por um conselho de ministros em dia de descoordenação total. Não há marketing que aguente.
As ETAR descarregam. O Governo assobia. A população mergulha… e arrepende-se.
Tudo perfeitamente alinhado, menos o saneamento.
Por isso fica a pergunta, simples e legítima:
É possível, Sr. Presidente? Avisar antes de despejar? Respeitar quem cá vive? Ou o madeirense continua a ser figurante num postal turístico onde só aparece para pagar e calar? Não se pede o impossível.
Pede-se apenas não nadar em merda alheia.
E isso, convenhamos, já devia ser um padrão mínimo de governação.
