G erir dinheiro público não é arte performativa nem exercício criativo. É contabilidade com consciência. E é precisamente por isso que se torna inevitável perguntar, como andam, afinal, os gastos públicos da Câmara Municipal do Funchal? Sob controle… ou em modo “logo se vê”? Sabemos que é professor de Educação física, mas já que foi eleito e pode ser preso por alegada corrupção convém perguntar.
Enquanto aos munícipes se pede contenção, resiliência e compreensão, três palavras muito populares quando chega a hora de pagar, convinha perceber se essa filosofia também mora nos gabinetes da autarquia ou se ficou esquecida na receção.
Porque uma coisa é governar. Outra é governar como se o cartão multibanco fosse ilimitado e não tivesse nome. Mas tem. É do povo madeirense que nasceu e reside no funchal.
Fica então o exercício básico de transparência, sem efeitos especiais:
- Gasta-se porque é necessário ou porque “fica bem”?
- Avalia-se o impacto antes ou escreve-se o racional depois?
- Quem é que, naquela cadeia hierárquica, tem coragem de dizer, “isto é um exagero”?
Cuidado com o normalizar o excesso, banalizar o gasto e tratar o contribuinte como figurante num espetáculo que não pediu para ver.
Transparência é explicar, justificar e ouvir críticas.
O Funchal não precisa de despesas exuberantes para afirmar dignidade. Precisa de rigor, prioridades claras e alguma humildade orçamental, essa espécie em vias de extinção.
Governar bem não é gastar tudo o que se pode.
É saber quando não se deve.
E os munícipes, Sr. Presidente, pedem apenas uma coisa muito simples, respeito pelo dinheiro que não é seu. É nosso.
Lembre-se que quem vai preso é você. Não são os seus vices.
Um presidente de câmara é menos protegido que um deputado, pode responder criminalmente pelo que fizer, corrupção, prevaricação, peculato ou outros crimes previstos na lei, e isso pode levar a julgamento e prisão, se condenado.
O povo madeirense está atento ao seu comportamento, Jorge do Carvalho.
