Quando viver numa ilha vira castigo administrativo


O Subsídio Social de Mobilidade foi criado para compensar uma desvantagem estrutural óbvia, viver numa ilha não é uma escolha logística simples, é uma condição geográfica permanente. Em teoria, o subsídio existe para garantir igualdade. Na prática, na Madeira, tornou-se um teste de resistência financeira para o residente comum.

O sistema é lento, opaco e perverso, o cidadão paga primeiro, espera depois e reza para que o reembolso não fique algures entre um formulário mal preenchido, uma regra reinterpretada ou um silêncio administrativo conveniente. Mobilidade social? Só para quem tem saldo disponível e nervos de aço.

E aqui a responsabilidade política tem nome e apelido: Eduardo Jesus e Miguel Albuquerque. Um tutela, o outro governa. Nenhum pode fingir surpresa. O problema é antigo, repetido, denunciado, e tratado com a mesma eficácia de sempre, comunicados otimistas e zero urgência prática.

Enquanto isso, o residente da Madeira continua a ser tratado como um turista pobre no próprio território. Paga bilhetes inflacionados, adianta centenas de euros e depois entra num jogo de espera onde o prémio é receber de volta aquilo que nunca devia ter saído do bolso. Um modelo brilhante, sobretudo para quem não precisa de receber o subsídio e estar a na fila dos CTT a rezar para não inventarem, que falta um numero, que falta, a factura, que falta o @€£‰¶¶÷…

O mais irónico? Fala-se de coesão territorial com a mesma leveza com que se ignora quem fica preso à ilha por incapacidade financeira. A mobilidade existe… para quem pode antecipar o dinheiro. Os outros que aguardem. Ou que fiquem.

E não nos enganemos, isto não é um problema técnico. É uma opção política. Quando há vontade, os sistemas funcionam. Quando não há, criam-se labirintos administrativos que afastam os mais frágeis e cansam os persistentes. Miguel andas pelas ruas a oferecer canetas do PSD, seria para assinar a senha dos CTT? Experimenta ir para a fila Miguelinho, experimenta uma ia apenas e leva o Eduardo bardamerda contigo.

Eduardo Jesus aparece para explicar. Miguel Albuquerque aparece para garantir que está tudo controlado. O residente aparece… na fila. Sempre na fila. Física, digital ou mental.

Com humor negro, podia dizer-se que o Subsídio de Mobilidade na Madeira não serve para viajar, serve para aprender paciência, literacia burocrática e humildade orçamental.

A pergunta final é simples e desconfortável: até quando é aceitável governar uma região ultraperiférica como se a mobilidade fosse um luxo e não um direito?

Porque viver numa ilha já é condição suficiente.

Não votem Marques Mendes nem Montenegro que não querem saber dos madeirenses, e pior o Eduardo e o Miguel estão em concluo contra o próprio madeirense! Haja vergonha na tua cara "bardamerda".