D izem que um congresso sem quórum é o fim do mundo. Dizem que é fraqueza, desinteresse, falhanço total. Dizem muito. Provam pouco. Um congresso serve para debater ideias, não para fazer teatro. Não é um espectáculo de televisão, nem um jantar de Natal com fotografia obrigatória. Medir a força política pela presença num momento concreto é confundir política com claque. É análise preguiçosa.
A falta de quórum foi logo tratada como “aberração” (link). Curioso. Logo a seguir admitem que não é caso único, que acontece noutros partidos, que é legal, que é normal. Então afinal é grave ou é comum? As duas coisas não podem ser verdade ao mesmo tempo.
Dizem que quem faltou não acredita no que escreve. Como sabem? Perguntaram? Ou é adivinhação política? Faltar não é igual a desistir. Às vezes é discordar. Às vezes é cansaço. Às vezes é estratégia. Transformar ausência em traição é medo, não análise.
Chamam “humor” a moção “Preparados para Governar”. Humor porquê? Porque não houve quórum? Então governar depende de uma votação adiada? A democracia não funciona assim. Quem diz isso está a reduzir política a calendário.
Comparam o congresso a uma reunião de condomínio. Boa imagem. Mas esquecem que até nos condomínios há regras, adiamentos e decisões válidas. O ridículo não está no adiamento. Está na pressa em declarar mortes políticas.
No fim, dizem que quem lucra são os outros partidos e a comunicação social. Aqui acertam. Lucra quem transforma episódios normais em crises artificiais. Lucra quem prefere manchete a rigor. Lucra quem quer confusão, não soluções.
Um congresso não mede força em presenças momentâneas, mas na capacidade de debater, ajustar e decidir com regras claras. Democracia não é espectáculo nem calendário mediático. É processo, conflito e responsabilidade.
Democracia é processo, não fotografia. Menos teatro, mais substância. Respeitar regras não é fraqueza. É maturidade democrática. Desde quando um adiamento é um funeral político? A política faz-se com debate, não com histeria. Confundir quórum com legitimidade é confundir forma com essência.
Episódios como congressos sem quórum revelam tensões normais da vida democrática. A questão central não é o dramatismo, mas a capacidade das instituições responderem com transparência, responsabilidade e clareza.
Defender instituições é defender a democracia. A política precisa de tempo, não de manchetes. Normalizar o debate é fortalecer o sistema. Processos imperfeitos são melhores que certezas falsas. Menos espectáculo, mais responsabilidade cívica.
Um congresso não é um teste de popularidade instantânea. É processo. É conflito. É ajuste. Quem vende certezas rápidas está a vender propaganda, não pensamento.
Menos histeria. Mais lógica. A política agradece.
