O Governo Regional que acusa Lisboa de centralismo, açambarcou todo o PRR para decidir o seu destino. A 6 meses do fim só metade foi gasto, foi azar não haver "pedreiros" suficientes.
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) foi vendido aos madeirenses como a grande oportunidade de modernização e "cura" para as mazelas deixadas pela pandemia. No entanto, a menos de seis meses do prazo final de 30 de junho de 2026, a realidade estampada nos números é desoladora: 50% do PRR na Madeira está por cumprir. Dos fundos previstos, a Região recebeu cerca de 316 milhões de euros, mas restam ainda 391 milhões por executar.
E então? Quem recuperou e quem se tornou mais resiliente? Isto parece o subsídio social de mobilidade para ricos.
A estratégia do Governo Regional foi clara desde o início, açambarcar o destino de cada cêntimo. Em vez de abrir o PRR à economia real, permitindo que as famílias investissem na resiliência das suas próprias casas, através de apoios à sustentabilidade ambiental, isolamento térmico e eficiência energética, o Executivo preferiu concentrar a "bazuca" em organismos públicos e grandes projetos.
Não faz mal, eles andam na poncha nem se dão conta, habituaram-se a ter pouco e a exigir ainda menos.
Esta sede de controlo acabou por ser o "calcanhar de Aquiles" da própria gestão regional. Ao querer decidir tudo para alimentar os "glutões" do costume, o Governo criou um estrangulamento administrativo e operacional. Não teve capacidade nem meios para usar. Não é para mim, não é para os outros? Agora, a Secretaria das Finanças vê-se obrigada a admitir que a "escassez de mão-de-obra" e a "escala de preços" impedem o cumprimento das metas. Faltou gente para as obras porque se quis fazer tudo ao mesmo tempo e apenas pelo canal oficial.
Pensaram nas clientelas partidárias e não na população. É de vómitos!
O que vemos hoje é um festival de "reprogramações", já houve ajustes em janeiro de 2025 e novamente em dezembro de 2025. Retiram-se investimentos que deixaram de ser exequíveis para tentar salvar o que resta. Áreas críticas como a Saúde e a Habitação viram as suas metas reduzidas ou alteradas por pura incapacidade de execução no terreno. Porquê não puseram os madeirenses, a população mais resiliente? Havia tanto para fazer, bastava olhar para alguns países da Europa e retirar ideias.
Mas se é grave afastar a população do PRR, o que se segue é um cenário grave. Se a Madeira não cumprir as metas acordadas até junho, não estamos apenas a falar de dinheiro que não entra; estamos a falar de um risco real de multas que podem chegar aos 40 milhões de euros. Seria o cúmulo da má gestão, devolver dinheiro à Europa e ainda pagar uma penalização por não o termos sabido usar.
Uma oportunidade perdida para as famílias, mas não se preocupem, elas premeiam de novo em eleições.
Imagine-se o que a economia madeirense teria ganho se as pessoas tivessem sido chamadas a investir nas suas habitações com a comparticipação do PRR. Há muita casa quente no Verão que precisa de rotura térmica passiva, para não gastar energia. O dinheiro teria circulado nos pequenos empreiteiros, nas lojas de materiais e nas mãos dos trabalhadores locais.
Em vez disso, temos um Governo Regional que quis tudo para si e agora corre o risco de ficar sem metade e com multa, deixando a Região a ver navios enquanto a "bazuca" corre o risco de regressar a Bruxelas por falta de competência e excesso de centralismo! Que ironia.
A Europa bem precisa do dinheiro de volta, valha-nos isso!
