A ndré Ventura vem à Madeira promovendo Miguel Castro. Há momentos na política em que insistir em não errar deixa de ser distração e passa a ser irresponsabilidade. A Madeira vive hoje um desses momentos. Se o CHEGA quer consolidar o que conquistou e crescer onde ainda falhou, tem de ler corretamente a sua própria vitória. A grande vitória na Madeira foi, naturalmente, uma vitória de André Ventura. A marca, a liderança nacional e a capacidade de mobilização que Ventura representa foram decisivas. Mas quem transformou essa liderança em resultado concreto no terreno foi Miguel Castro, e não sozinho. Miguel Castro afirmou-se como um quadro político raro, capacidade de organização, autoridade moral, coerência ideológica e ligação real às bases.
É conhecido como um homem sério e respeitador, com vida familiar assumida, sem ligações a lobbies, sem jogos obscuros nem carreirismo vazio. Há um detalhe que, na Madeira, conta — e conta muito — porque não é encenação, Miguel Castro representa uma direita católica e cristã, praticante e coerente. É visto como alguém que faz questão de ir todos os dias à Missa, que vive a fé sem usar como propaganda e que mantém uma conduta pública compatível com o discurso que o partido afirma defensor.
Num tempo em que a política sofre de descrédito moral, este perfil não é um detalhe: é um ativo político. E há ainda um ponto decisivo que o eleitor nota, Miguel Castro não exibe sinais de riqueza. Não vive de ostentação, não surge com carros de luxo nem motas de alto valor, nem cena estatuto social. Pelo contrário, transmite a imagem — e a prática — de alguém que vive com discrição e sobriedade, de acordo com o rendimento declarado. Num contexto em que tantos pregam moral e exibem privilégio, esta coerência pesa. A vitória do CHEGA na Madeira foi construída também através de uma dupla política decisiva.
Miguel Castro e a ex-esposa de Francisco Gomes formaram, aos olhos do eleitorado, uma parceria sólida, eficaz e credível. Seja como dupla política, seja — se assim for — como casal, o dado relevante é político, funcionaram como uma força vencedora no terreno. Ignorar isto é desrespeitar os eleitores madeirenses.
A decisão é clara, Miguel Castro tem de ser promovido. E esta promoção passa por assumir responsabilidades nacionais, no Continente, levando quem comprovadamente contribuiu para a vitória. Manter Francisco Gomes no Continente, enquanto se ignora quem entrega resultados reais, é um erro estratégico. Não é pessoal. É político.
André Ventura deverá vir para a Madeira. Não para cerimónias, mas para ver, ouvir e decidir com justiça política. Promover Miguel Castro não é um favor. É respeito pelos candidatos. É inteligência estratégica. É visão de futuro. E aqui, a escolha é evidente.
