O erro da JPP

A JPP, a sua comissão política, não apoiou nenhum candidato na primeira volta das Presidenciais, mas também deixou omisso se dava liberdade de voto aos seu militantes, talvez porque é tácito que cada um tem a sua liberdade de voto sem precisar do partido. 

Paralelamente, é difícil de perceber porque pequenos partidos, o PCP, BE, Livre, etc, apresentaram candidatos sem desistir para um candidato mais competitivo na sua área política, consumando-se um resultado paupérrimo que, em vez de salvaguardar o voto no partido, expõe-no à fraqueza da migração pelo voto útil noutro candidato. No fundo, o voto procura a sua natureza objectiva pelo bem comum, pelo melhor candidato, segundo o entendimento de cada um.

Não é linear que a estratégia dê certa, como se viu, e torna-se pior a emenda do que o soneto, porque numa exposição dispensável regista-se mais uma derrota em partidos decadentes, ou de inversão naqueles que tiveram sucesso (Livre). Portanto, os pequenos partidos querem manter o seu eleitorado a votar em si, porque dizem que o que custa é votar pela primeira vez noutro. No entanto, se o candidato não tem potencial para um bom resultado, é um erro.

Quando não se tem candidato, não se vai a jogo, mas quando não se tem candidato e somos omissos, é carta branca para outro partido tomar lugar na sua oportunidade de, pela primeira vez, o eleitorado mudar de voto. Aqui reside o erro do JPP.

Vejamos o resultado da ausência da JPP, em dois níveis, em Santa Cruz:

Não ganha nada, não reclama, mas a concorrência está. Se, por exemplo, tivessem escolhido Seguro, estaria associado a este resultado, dando voto útil ao candidato que venceu a primeira volta. Na sua ausência, facilitou a vitória de Ventura no concelho chave do JPP. Como na segunda volta o verdinhos deixam-se omissos de novo, com 50% de hipóteses de estar ao lado do vencedor, voltam a deixar por mais uma eleição o seu eleitorado longe de qualquer preocupação com a JPP. Qual será a sensação pelo novo voto em partidos de todo o terreno, inclusive nas Presidenciais, a contar?

Todas as eleições são diferentes, vemos que o eleitorado, na larga maioria sabe-o, alguma casmurrice é interesse. Contudo, a JPP tem 3 desafios a perceber, se o PS-M acorda, se continua a entregar-se ao palco do PSD-M (OCS - Link), e entender que a aposta do Chega é lhe tirar o lugar a nível Regional e permitiu duas experiências. Atenção que pouco interessa quem é o candidato nas listas das Regionais, Ventura costuma estar sempre presente.

Para Miguel Albuquerque, o PSD-M, é fácil não apoiar ninguém, porque assim não se mancha com os fascistas nem com os xuxalistas, depois de ter cumprido calendário com Marques Mendes. Se qualquer coisa correr mal, ele atira pedras.

Aqueles que se abstêm de indicar um apoio na segunda volta das Presidenciais, a dois, nestas circunstâncias, entre a extrema-direita do divisionismo, populismo, violência verbal, xenofobia, divisão, polarização, etc, e uma outra candidatura moderada de união do país, deixam explicito que tanto lhes dá... O problema é se a extrema direita lhes ocupam o lugar do voto de protesto por maior eficácia em linguagem direta, sabendo trabalhar nas redes sociais, enquanto alguns se deixam na comunicação social, palco do PSD.

Escolher um apoio na segunda volta é fácil e, se perder o candidato da moderação, pelo menos sabe-se que um partido democrático nunca se coligará à extrema-direita. É um momento de prova e uma oportunidade perdida. Todas as análises são plausíveis a partir de agora.

É preciso entender o alcance das decisões.