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| Albuquerque, faço notar o título, diz Chega e não Ventura. |
B om dia a todos, por primeira vez escrevo nesta plataforma. Sou militante do PSD e tenho uma mensagem para Miguel Albuquerque, agora que é palpável que a Madeira pode mudar de repente. Este é um momento político tenso e de grande reflexão para a Região Autónoma da Madeira, sobretudo para os social democratas. Tem havido crescimento eleitoral do Chega, na Madeira nem tanto porque o Chega tem um sucedâneo democrático a tapar a sua progressão, o JPP. Agora temos um brilhante resultado de André Ventura na Madeira para as Presidenciais, um sinal claro de descontentamento que não pode ser ignorado pela governação regional.
Miguel Albuquerque, os militantes podem estar calados, mas vivem exatamente as mesmas consequências da tua governação, é tempo que acabar com as conversas que enrolam no "não é bem assim". Toda a população precisa de atenção porque a bitola dos vencimentos é a mesma e criaste um modelo que não pensa na população.
A ascensão meteórica do Chega e a consolidação de André Ventura como uma força central na política portuguesa não são um acaso, são o sintoma de uma frustração que atravessa o Atlântico e bate à porta da Quinta Vigia. O resultado eleitoral recente é um cartão amarelo, ou talvez já laranja-escuro, para o atual Governo Regional. Isto é um prenúncio de que a revolta, indignação e paciência estão nos limites. Nem todos são de extrema-direita, vulgo fascistas, e muito do resultado do Chega é também alimentado por PSD's.
Miguel Albuquerque, precisas de entender uma coisa, ou começas a governar seriamente para os madeirenses, ou o sistema vai descambar. Dentro de casa, pelo militante de base que segura os resultados eleitorais.
Enquanto se discute a "continuidade" e se apresentam números macroeconómicos brilhantes, o madeirense comum luta para pagar a renda no Funchal ou para encher o carrinho de compras. Quando o governo se foca excessivamente em grandes projetos e esquece o poder de compra de quem aqui vive e trabalha, abre a porta ao populismo e ao voto de protesto. Repara que é intenso, é encostado ao vermelho e vai atingir o PSD e a oposição mais atuante. Repara na derrota do PSD na Madeira e na derrota da JPP que apoiou Seguro em Santa Cruz. André Ventura foi imparável.
A estabilidade política de que o PSD-Madeira tanto se orgulha está a tornar-se uma armadilha. O números de sucesso que debita fazem o ridículo ao serem escutados em casa. A sensação de que "está tudo bem" enquanto os serviços públicos degradam-se e os jovens qualificados continuam a ver o aeroporto como a única saída, gera um ressentimento que o Chega soube capitalizar. Não basta "estar no poder"; é preciso exercer o poder para resolver problemas concretos.
Já que falamos nos jovens, porque passo por isso, quando os mais antigos dizem o que foi a ditadura e o fascismo eles respondem que isso foi naquele tempo, não passaram nem acreditam que volta, acham este mel de extrema-direita uma sinceridade e não querem saber de outros exemplos. Tu tens responsabilidade nesta terra pelo regime democrático, acaba com a vaidade e retórica porque isto vai descambar. Aconselho-te a remediar e mostrar bom senso, como no continente, em que o líder não apoia ninguém, mas os militantes "per si" vão dando apoio ao Seguro. Aqui e no continente é tempo do PSD começar a ouvir!
Se a governação continuar de costas voltadas para as preocupações reais, na negação e na retórica, com habitação inacessível, a saúde sob pressão e a sensação de favorecimento de elites, a Madeira arrisca-se a uma rutura social e política sem precedentes. O aviso foi dado, o eleitorado está disposto a mudar, mesmo para caminhos desconhecidos, se sentir que o caminho atual é um beco sem saída.
Albuquerque, o tempo da retórica acabou. Ou a governação passa a ter o rosto dos madeirenses, ou o ciclo que conhecemos vai desmoronar-se mais depressa do que muitos preveem.
Obrigado à plataforma por publicarem o meu texto.
