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| ... com os ordenados da Madeira. |
A
O retrato é claro e duro. Em 2023, a região registou 9,3 milhões de dormidas e 11 572 dormidas por km², um sinal brutal de concentração económica. Isto não é uma economia ampla; é uma economia apertada, dependente e vulnerável. A leitura séria é simples, turismo demais, diversificação de menos.
É aqui que a narrativa oficial falha. Quando o poder local fala em desenvolvimento, quase sempre quer dizer o mesmo trio cansado: turismo, construção e retórica. Mas uma ilha com esta densidade humana, esta localização e esta capacidade logística pode ir muito mais longe. Pode reforçar tecnologia, serviços avançados, ciência do mar, economia digital, saúde, formação e indústria leve. O que falta não é território. Falta vontade política. Falta coragem para largar o vício da dependência.
Há outra lição, territórios muito pequenos que vivem de especialização inteligente, instituições fortes e estratégia de longo prazo. Madeira não precisa de copiar ninguém. Precisa de deixar de ser tratada como feudo, e passar a ser governada como projecto de futuro. Isso implica menos propaganda, menos captura do discurso público e mais transparência sobre quem ganha com a estagnação.
A contestação cresce porque a população percebe o essencial: uma região não se mede só em hotéis, betão e inaugurações. Mede-se na qualidade do emprego, na diversidade produtiva, na justiça económica e na capacidade de reter talento. Madeira tem escala para mais. Tem gente, tem posição, tem mercado e tem tempo histórico. O que não pode continuar a ter é um poder que confunde gestão com encenação. O resto é ruído.
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