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Madeira: o limite não está na ilha!

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 Madeira não é pequena por natureza. Pequena é a ambição política que a condena ao mesmo guião: turismo, construção e dependência. Quando o Governo insiste que não há margem para mais, está a vender escassez como destino e rotina como progresso. Isso não é gestão. É contenção estratégica disfarçada de realismo.

A comparação internacional desmonta o truque. Territórios muito menores ou semelhantes mostram outra coisa: quando há visão, há escala. Quando há vontade, há diversificação. Quando há método, há riqueza. A Madeira tem área, população, posição atlântica, zona marítima, marca global e capacidade logística. O que falta não é espaço. Falta decisão.

A leitura é brutal. Malta, com menos área, gera muito mais. Luxemburgo, com escala parecida de território pequeno, tornou-se potência financeira. Singapura transformou limitação física em poder tecnológico e logístico. A Madeira, porém, continua presa ao discurso confortável de quem prefere administrar dependências em vez de abrir sectores.

É aqui que entra a política real. Não basta repetir que o turismo paga a conta. Também a concentração paga interesses. Também a repetição protege redes. Também o silêncio ajuda quem lucra com um modelo estreito. A narrativa oficial quer fazer passar falta de diversificação por prudência. Mas prudência sem ambição é apenas medo com gravata.

A solução é clara: finanças, inovação, economia azul, saúde, ciência, serviços digitais, formação técnica, logística marítima, investigação, exportação qualificada, indústria criativa e tecnologia aplicada ao mar e à energia. A Madeira pode crescer para lá do alojamento, do cimento e da temporada alta. Pode ser plataforma atlântica. Pode ser centro de serviços. Pode ser laboratório económico. Mas para isso é preciso romper com a elite que trata a ilha como quintal privado.

O problema não está na geografia. Está na governação. Está no pacto entre propaganda, inércia e interesses fechados. Está no hábito de pedir aplauso onde deviam existir resultados.

A Madeira tem futuro. O que tem faltado é um Governo à altura do seu potencial. E enquanto isso não mudar, cada desculpa oficial continuará a soar ao mesmo: uma mentira bem vestida.

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