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Para os jornalistas

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lguns de vocês veem as suas peças com alguma crítica, alguma verdade inconveniente, alguns incómodos... censuradas. Tenho esse conhecimento, não é palpite. Na Saúde, nas obras, nas adjudicações, etc., tem sido assim. Proprietários e quem paga... manda. Acontece que, cá fora, ninguém sabe do equilíbrio (falo por imperativos de subsistência) de terem a crítica lado a lado com a bajulação e a propaganda, só sai o que está homologado, assim ficam marcados.

É evidente que se conhecem as formas de assédio e que os jornalistas, como pessoas sempre informadas, sabem quando têm de exercer a autocensura. É um jogo tácito onde os ditadores e opressores têm a vida facilitada e as mãos limpas. Há dias vi um jornalista "emigrar", porque tinha uma empresa capaz de o acolher (a mesma), e foi para o continente. Essa janela de oportunidade mostrou, pelos antecedentes do regime, que quem pode não se sujeita: vai-se embora. É uma chapada de luva branca. Para uns é um alívio; para aqueles que pensam, é um sintoma.

Alguns jornalistas convictos do regime deveriam olhar para dentro do PSD, para o elevador da consideração descartável e das eleições internas, para saberem que, quando o partido entender que há outra estratégia ou outro elemento mais útil, perderão o pé e serão ostracizados como qualquer outro. E ficarão de bico calado, porque, no relacionamento anterior, houve benesses que podem ser denunciadas e arrasá-los por completo.

Cada vez mais, como se ainda fosse possível, o jornalismo na Madeira e os seus jornalistas se borram por atenderem ao regime sem contraditório, seja na peça ou no seu todo. Aqueles que aumentaram a esperança de vida ao jornalismo regional para que este existisse a seu favor acabam por ser a morte, em suaves prestações, da sua idoneidade.

Quem pensa sabe que o domínio absoluto dos dinheiros públicos, dinheiro de todos nós, contribuintes, está a ser usado para instituir uma economia que elimina a democracia pela necessidade e pela pobreza. A democracia ficará sem jornalismo, com fracos na oposição e uma economia na mão de meia dúzia, os que saem sempre com os nomes nas adjudicações. Ao lado desta realidade virá a tecnologia, e todos serão dispensáveis. Só não sabemos quem terá poder de compra para manter o sistema. Bastarão os "escolhidos da altura" para o aguentar?

Por isso, apelo aos jornalistas censurados que não se exponham com peças censuradas, mas que sejam mais uns agentes e autores de uma plataforma que existe para o contraditório. Quem não tem uma empresa para "emigrar" tem aqui uma solução.

Se acharem este texto ridículo, quero dizer que, tal como sei de textos censurados, conheço a estratégia final e também sei de alguns em estado de graça que vão cair. Esta sensação de alguns "todo-poderosos" com o dinheiro público advém do facto de não terem medo de nada, nem da Justiça, como vemos. Muitas vezes, as instituições precisam do apoio público para terem força e coragem para atuar. As vitórias eleitorais legitimam a vontade popular e mantêm o esquema.

É tempo de os jornalistas fazerem alguma coisa como podem, discretamente, porque vamos afundar de um dia para o outro. Bastam algumas decisões da União Europeia, o aumento da violência e da criminalidade que já existem, a acentuação de tensões com imigrantes não serenos, as máfias que assentam arraiais na terra da imunidade criada para poucos enriquecerem, e os monopólios que serão comprados por gente de países com muito mais capital (que não desistem como agentes económicos banidos da Madeira). Eles virão na pior altura e serão os novos donos da Madeira.

Eu não estou a falar de cór.

  • Carta aos jornalistas
  • https://visao.pt/atualidade/sociedade/2017-09-19-carta-aos-jornalistas/

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