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As duas sensibilidades da Sé

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ui a Igreja e escolhi a Sé, primeiro para rezar por doentes e para a ver a famosa porta. Tristeza. Sentei-me e pensei com os meus botões, então tropeçam na porta e não tropeçam no estrado? Olhei para o teto e de facto está fabuloso, grande recuperação. Elogio total. Já tinha visto, mas não a contemplar com tempo o trabalho de minúcia.

Depois baixei o olhar e reparei no "mobiliário", novo de mogno, pelos antigos nunca passou a restauração? O estrado tem remendos, mas parece o original de casquinha antiga. Ao sair da Sé encontrei um carpinteiro, falamos de obras e depois falamos da Sé, também já sabia da asneira da porta, mas revelou-me que os bancos antigos da Sé ainda devem existir, foram todos despachados, segundo ele, para a igreja velha da Camacha. Ou seja, ainda é possível remediar a Sé para que mestre da Sé, Gil Eanes, não continue a se autoflagelar com a Catedral.

Porque é que houve sensibilidade para o teto e não há para outros pormenores? Tudo isto parece uma tragicomédia nesta Sé do Funchal do Séc. XXI. O que dirão os historiadores do futuro? Depende se outros mais loucos se seguirem, mas se houver mais juízo, este tempo será uma nódoa.

No meio disto tudo, com certeza os membros do Governo e especialmente a DRAC compareceram para os elogios do teto, e onde estão eles agora nas horas mais obscuras? Têm o poder total nesta matéria, mas pelo beija mão ao livro do bispo tudo isto é para esquecer. A não ser que o Vaticano seja surpreendido, o Santo Padre é americano mas tem juízo.

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