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A RTP Madeira não tem vergonha na cara.

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A

 RTP Madeira poderia ser o único órgão de comunicação social na Madeira com independência real a fazer jornalismo, porque seus funcionários não dependem da economia local e do GR para pagar os seus funcionários. Por outro lado, a RTP Madeira é uma prova de como o PSD Madeira nem precisa de mandar os empresários do regime comprar órgãos de comunicação social (coisa que também tentou com a RTP-M) porque os seus funcionários, por livre vontade, também engrenam na partidarite. Basta ver os que saíram e exercem na política, como governantes ou assessores. A maioria dos jornalistas da RTP-M querem ser iguais aos restantes dependentes dos órgãos de comunicação social da Madeira, talvez pensando que a carreira passa por ser assessor e não ter uma carreira nacional.

A Madeira enfrenta o descalabro turístico com gente sem categoria, que não interessa por comparação ao que já tivemos (é ver as mais incríveis histórias todos os dias, ontem foi aquele que invadiu a pista do aeroporto). A Madeira está em num problema gritante e cada vez mais exposta a desgraças que virão do relacionamento Clima + Carga + Insustentabilidade. Não cabe mais gente para a área útil, a rede viária está saturada e a orografia não permite soluções a não ser com mais obras megalómanas a distribuir alcatrão e betão. Está insustentável na floresta com a quantidade de gente a penetrá-la (veremos quando acontecerá o previsível com o tipo de gente que se traz), no consumo de água, na produção de lixo, no tratamento de águas residuais, e para humor negro temos Ambiente e Turismo com o mesmo secretário com toda a comunicação a lhe prestar vénias.

A RTP-M produziu mais uma entrevista da narrativa que deve prevalecer, convidou Eduardo Jesus a pronunciá-la, quando deveria fazer o oposto, acordar a população para o descalabro que vivemos. Eduardo Jesus é omnipresente todos os dias na comunicação social, no mesmo registo de exagero de Pedro Calado em tempos, mas a RTP Madeira estava em falta e fez mais do mesmo. Tivessem aqueles que ainda falam sobre o que importa esse tempo para explicar. A RTP Madeira não quer. Assim, o caminho da Madeira está traçado e ninguém vai evitar, no futuro não sejam Pilatos.

A narrativa única vence, o erro será cometido e no fim a população, como sempre, paga. Quem tem dinheiro não vem para cá ver gentrificação e os políticos que serviram este modelo vivem a sua vida, bem cheios dos agradecimentos de quem serviram.

Este turismo não serve à Madeira e nem se vislumbra abrandamento, querem mais e mais quando já temos um "bonito" problema pela frente. Depois de mais turismo, mais hotéis, mais AL's, mais carros, mais água, mais teleféricos, mais custo de vida, mais afastamento dos madeirenses da sua terra, mais dos mesmos todos os dias.

A RTP Madeira não explora a notícia disponível, o filão informativo por cobrir, simplesmente cede tempo de antena ao maior responsável para implementar a narrativa que lhe interessa e ficar em boas graças. O que a RTP-M faz é pior do que o restante jornalismo da Madeira que está atado. A notícia está na informação sonegada.

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